Tipo OITO: O Desafiador
Reconhecendo OITOS:
O Tipo Oito exemplifica o desejo de ser independente e de cuidar de si mesmo. Oitos são assertivos e apaixonados pela vida, encarando-a de frente com autoconfiança e força. Eles aprenderam a se defender sozinhos e têm uma atitude de “eu posso fazer”, cheia de recursos. Eles são determinados a ser auto-suficientes e livres para seguirem seu próprio destino. Assim, Oitos são líderes naturais: honrados, autoritários e decididos, com uma presença sólida e comandante. Eles tomam iniciativa e fazem as coisas acontecerem, protegendo e provendo para as pessoas em suas vidas, e ao mesmo tempo dando apoio moral aos outros para que possam se virar sozinhos. Eles incorporam consistência e coragem, usando seus talentos e visão para construir um mundo melhor para todos dependendo do alcance da influência.
Mais do que tudo, Oitos são pessoas de visão e ação. Eles podem pegar o que parece uma casca de um prédio inútil e arruinada, e a transformar em uma linda casa, ou escritório, ou hospital. Da mesma forma, eles vêem possibilidades nas pessoas, e eles gostam de oferecer incentivos e desafios para trazer à tona as forças das pessoas. Oitos concordam com o ditado “Dê a uma pessoa um peixe e ela comerá por um dia. Mas ensine-a como pescar, e ela poderá se alimentar pelo resto da vida.” Oitos sabem que isso é verdade porque eles já ensinaram muitas vezes a si mesmos “como pescar”. Eles têm “arranque automático” e apreciam atividade construtiva – construindo si mesmos, os outros, e seu mundo.
Oitos ocasionalmente assumem grandes desafios para ver se conseguem fazer o impossível ou fazer de uma causa sem esperança um grande sucesso. Mas geralmente eles não fazem isso a não ser que tenham certeza de que as probabilidades estejam do seu lado ou de que têm recursos para fazer o impossível e fazer parecer fácil. Outros os procuram em tempos de crise porque sabem que Oitos estão dispostos a tomarem decisões duras e a resistir quando as coisas dão errado.
Honra é algo importante para os Oitos porque sua palavra é sua obrigação. Quando eles dizem “Você tem minha palavra nisso.” eles realmente estão falando a verdade. Oitos querem ser respeitados, e Oitos saudáveis também estendem respeito aos outros, afirmando a dignidade de qualquer pessoa com que cruzam. Eles reagem fortemente quando vêem alguém sendo explorado ou sendo tratado de maneira humilhante ou degradante. Eles irão intervir e acabar com uma briga para proteger o fraco ou em desvantagem ou para “igualar o placar” por aqueles que em sua visão foram prejudicados. Similarmente, Oitos não hesitarão em dar seus lugares no trem para uma pessoa idosa ou doente, mas teriam que ser arrastados fisicamente se alguém tentasse fazê-los saírem do lugar sem o seu consentimento.
Pouca coisa sobre o Oito é indiferente. Eles têm sentimentos e impulsos poderosos, e muitas vezes têm um enorme impacto nas pessoas a sua volta – para o bem e para o mal. Oitos são mais intensos e diretos do que a maioria, e eles esperam que os outros tenham essas qualidades também. Qualquer maneira de ser indireto deixa-os loucos, e eles continuarão a pressionar e aumentar seu nível de energia até que sintam que os outros tenham respondido suficientemente.
Muitos Oitos têm algum tipo de sonho para si mesmos e seu “círculo interno”, e sendo as pessoas de mente prática que são, isso muitas vezes envolve projetos lucrativos, negócios arriscados, filantropia, e coisas assim. Eles podem começar e dirigir seu próprio negócio, ou “set someone else up in a situation” ou simplesmente jogar na loteria regularmente. Nem todos os Oitos têm muito dinheiro, mas a maioria está procurando por algum tipo de “grande chance” que lhes daria a independência, o respeito, e o senso de poder que eles tipicamente querem. Eles podem também ser altamente competitivos, apreciando os desafios e riscos de suas próprias iniciativas.
Eles trabalham duro e são pragmáticos – “ásperos individualistas”, e vão atrás de seus interesses agressivamente, sempre pensando em um novo ângulo, constantemente têm um novo projeto a caminho.
Oitos menos saudáveis podem tornar-se extremamente controladores, dando muita importância a si mesmos, sendo confrontacionais, e altamente territoriais. Eles podem responder aos outros sendo fanfarrões e voluntariosos, blefando e usando seu poder e influência de diversas maneiras. Oitos Médios são cheios de arrogância e vanglória para fazer com que os outros concordem com seus planos, desejos, e ainda que encontrem resistência, tentarão controlar e dominar as pessoas mais aberta e agressivamente. Quer estejam dirigindo uma empresa multinacional ou uma família de duas pessoas, eles querem que esteja entendido que eles estão firme e claramente no comando.
Em breve, Oitos querem ser auto-suficientes, provar sua força e independência, ser importante em seu mundo, ter um impacto em seu ambiente, ter a lealdade inquestionável de seu círculo íntimo, e estar em controle de sua situação.
Oitos não querem se sentir fracos e vulneráveis, fora de controle, serem dependentes dos outros, ter suas decisões ou autoridade questionadas por outros, perder o apoio dos outros, ou ser surpreendidos pelas ações inesperadas dos outros.
Seu Lado Oculto
Oitos apresentam uma imagem dura e independente para o mundo, mas por trás de sua vanglória e camadas de armadura, existe vulnerabilidade e medo. Oitos são afetados pelas reações daqueles mais próximos a eles muito mais do que gostam de demonstrar. Muitas vezes eles esperam que os outros não gostem deles ou os rejeitem, e por isso são profundamente tocados, até sentimentais, quando sentem que alguém de quem gostam realmente os entende e os ama. Oitos podem aprender a se endurecer contra querer ou esperar ternura, mas eles nunca são inteiramente bem sucedidos. Não importa o quão duros, até beligerantes, eles possam se tornar, seu desejo por cuidado e conexão não consegue nunca ser completamente excluído da consciência.
Questões de Relacionamento
Oitos são freqüentemente procurados como parceiros porque aparentam ser tão confiantes, capazes e fortes. Os outros se sentem seguros devido à sua consistência e sentem que o Oito oferecerá proteção e estabilidade no relacionamento. (Quando os Oitos estão saudáveis, isso é verdadeiro.) Os Oitos também transpiram muito carisma – eles têm uma tremenda energia instintiva e muitas pessoas sentem-se atraídas por sua intensidade. Entretanto, outras pessoas podem se assustar pelas mesmas qualidades nos Oitos, e quando os Oitos expressam sua energia muito fortemente, eles muitas vezes criam problemas em seus relacionamentos. Alguns dos principais pontos problemáticos incluem os seguintes:
• tornarem-se egocêntricos e sem interesse nos sentimentos e problemas do outro, por sentirem-se sobrepujados por seus próprios sentimentos;
• reagirem exageradamente ao que entendem como rejeição, retraindo-se ou perdendo a calma;
• pressionarem os outros para receber uma resposta mais “genuína”;
• tornarem-se distantes e emocionalmente indisponíveis quando incomodados;
• tornarem-se possessivos e ciumentos do parceiro;
• verem o outro como um inferior, que pode ser moldado e direcionado; não respeitando o parceiro como igual;
• demonstrando questões psicológicas difíceis em ataques de raiva, farras ou atos de vingança.
A Paixão: Luxúria
Oitos querem se sentir intensamente vivos: eles amam o senso de urgência que obtêm engajando-se inteiramente com a vida. Não têm muita paciência com respostas mornas ou ações indiferentes dos outros. Mas esse desejo de ser vigoroso e vivo pode facilmente deteriorar-se em uma necessidade de estar constantemente “empurrando contra” o mundo – e especialmente contra outras pessoas. Oitos criam o hábito de se forçarem e sua influência, aumentando a intensidade das situações para que se sintam mais reais e mais vivos. Eles ficam como uma pessoa tentando agressivamente abrir uma porta que abre silenciosamente. Infelizmente, essa abordagem da vida muitas vezes oprime as outras pessoas, que então evitam o Oito, o que pode levar a um estresse severo e até a um colapso físico do próprio Oito.
No Seu Melhor
Oitos saudáveis combinam sua força e energia naturais com a tomada de decisões ponderada e criteriosa, e uma disposição maior de estar emocionalmente aberto e disponível para os outros. Eles são amigos leais e farão qualquer sacrifício necessário para o bem-estar daqueles que amam. Eles não sentem nenhuma necessidade de testar suas vontades contra os outros: eles estão tão equilibrados e fundamentados em si mesmos que não existe necessidade de constantemente se auto-afirmarem e muito menos de controlarem qualquer outra pessoa. Assim, eles mesmos têm uma maior paz interna e podem, portanto, ser enormes fontes de apoio e força para outros. Saber que podem ser uma fonte poderosa de bênçãos nas vidas dos outros enche os Oitos com um sentimento profundo de realização e um tipo de orgulho benevolente da sua habilidade de ter um impacto positivo no mundo e nos outros.
Oitos “altamente funcionais” são verdadeiramente heróicos, aprendendo a controlar a si mesmos e à suas paixões. Eles têm um coração grande, são piedosos, tolerantes, conduzindo os outros com sua força. Corajosos e fortes, mas também gentis e humildes – dispostos a se colocar em risco pela justiça e pela lealdade. Oitos “altamente funcionais” têm a visão, compaixão e coração para serem uma tremenda influência para o bem no mundo.
Dinâmicas e Variações de Personalidade
Integração (Oito vai para Dois Saudável)
Á medida que os Oitos começam a reconhecer sua poderosa armadura emocional e vêem o quanto isso os isola desnecessariamente, eles naturalmente se tornam mais emocionalmente expressivos e generosos, como Dois “altamente funcionais”. Por trás de seu impulso por auto-proteção e independência, Oitos têm coração grande e instinto generoso. Uma vez que se sentem suficientemente seguros para baixarem sua guarda, eles descobrem o quanto gostam das pessoas e o quanto querem apoiar os outros. Resumindo, eles querem ser uma fonte de bem para o mundo e expressar seu amor – e no Dois, eles fazem isso. Como permanecem sendo Oitos, seu amor é expresso em maneiras palpáveis que realmente ajudam e apóiam as pessoas. É um amor livre de opinião, grude, ou motivos ocultos, e através dele, os Oitos encontram o senso de autorização e dignidade que eles estiveram procurando.
Oitos Sexuais: Assumindo o Controle
Oitos Sexuais são carismáticos e emocionalmente intensos: eles parecem “arder sem chama”. Esses Oitos buscam intensidade através de relacionamento, e os altos e baixos de suas vidas são muitas vezes vistos em termos de relacionamento. O Oito Sexual quer “carimbar” a pessoa amada, deixar sua marca. Estejam eles lidando com interesses românticos ou engajados em outras atividades, eles gostam da excitação do estímulo intenso e podem tornar-se viciados em adrenalina. Muitas vezes veneram as pessoas por quem estão apaixonados, mas eles podem desenvolver problemas por pensar o outro como uma criança que eles querem formar e desenvolver. Muito disso vem de querer que o parceiro seja forte o suficiente para que o Oito Sexual possa relaxar e se entregar. Assim, eles podem provocar sua pessoa amada em um esforço de testar sua força ou de construí-la. Similarmente, eles gostam de ser desafiados pelo outro, mas isso pode deteriorar em uma luta por dominância no relacionamento. Eles podem recorrer a argumentos ou disputa verbal como um modo de intensidade estimulante no relacionamento. Oitos Sexuais também podem sentir como se “possuíssem” seu parceiro íntimo – como se tivessem um direito de satisfação à hora que precisarem.
Oitos Sociais: Gosto e Camaradagem
Oitos Sociais gostam de “viver extravagantemente”, e como o nome sugere, engajar-se inteiramente com o mundo. Amizade e lealdade são valores principais para eles, e eles estão dispostos a fazer grandes sacrifícios pelas pessoas e causas com que se importam. Ao mesmo tempo, esperam que os outros com quem tenham se ligado sejam igualmente leais com eles. (Nesse aspecto, podem assemelhar-se aos Seis, embora sua energia seja maior e mais direta que a dos Seis) Muitas vezes, Oitos Sociais reunirão um grupo de amigos em volta deles, agindo, não oficialmente, como o presidente do grupo – o “rei” ou “rainha”. Eles gostam de conversas sobre esportes, política, rock, ou os últimos acontecimentos de sua novela favorita – qualquer assunto sobre o qual eles possam declarar opiniões ousadamente e debater. Oitos Sociais gostam da provocação e energia de um desacordo sobre esses assuntos, e ficam muitas vezes surpresos ao saber que outras pessoas podem ficar magoadas ou oprimidas pela força de suas opiniões. Nesses momentos, eles podem tentar “baixar seu tom”, mas eles normalmente acham isso um acerto desconfortável. Com mais freqüência, eles buscam amigos que eles vêem como fortes e independentes, que agüentam um pouco de aspereza e não serão oprimidos por eles. Oitos Sociais menos saudáveis têm problemas em fazer promessas às pessoas que eles nem sempre podem cumprir. Enganar os outros e exagerar situações podem fazer parte do contexto.
Fonte: http://www.enneagraminstitute.com/
Tradução: Ju
sábado, novembro 13, 2010
Tipo Cinco
Tipo CINCO: O Investigador
Reconhecendo CINCOS:
O Tipo Cinco exemplifica o desejo humano de entender, de olhar abaixo da superfície das coisas, e de chegar a um conhecimento mais profundo da realidade. Cincos preferem a vida da mente, tanto como uma maneira de entender o mundo e – dado o poder ilimitado da imaginação – como uma maneira de escapar de aspectos da realidade. Não seria forçado dizer que para muitos Cincos, o mundo interno da mente e da imaginação é mais real e vívido que o mundo externo. Cincos tendem a ter uma experiência e depois passar várias horas, dias – até anos – entendendo-a e seu contexto mais amplo. Cincos são também altamente inovadores e inventivos. Eles amam brincar com conceitos, derrubando as maneiras aceitas de fazer as coisas. Isso pode produzir trabalhos e descobertas extremamente valiosos, práticos e originais, ou simplesmente entretê-los por muitas horas sem resultados práticos.
Cincos são realmente os mais independentes e idiossincráticos dos tipos de personalidade, as pessoas que poderiam ser mais apropriadamente chamadas de “solitário” ou “excluído”. São as pessoas que realmente “marcham em um ritmo diferente”, seguindo seus interesses e curiosidades a qualquer lugar que suas investigações possam levá-los. Alguns Cincos podem parecer completamente estranhos para as pessoas, enquanto outros mantêm sua “estranheza” mais abaixo da superfície. Em ambos os casos, Cincos são intensamente determinados a seguir as questões e idéias que os fascinam: tanto que relacionamentos e considerações financeiras podem tornar-se sem importância para eles.
Essas qualidades resultam de uma habilidade extraordinária de focalizar sua atenção.
Cincos ficarão com um problema ou uma questão que os fascina até que ela seja resolvida, ou até que descubram que ela é insolúvel. Tédio lhes é inimaginável, pois existem tantas coisas fascinantes para explorar, entender e imaginar. O lado negativo é que a sua capacidade de concentração permite que eles fiquem profundamente absorvidos em seus complexos mundos internos, algumas vezes ao ponto de esquecerem o mundo ao seu redor ou até de cuidarem de si mesmos.
Assim, Cincos podem se envolver no trabalho, leitura, ou em seus próprios pensamentos com tal profundidade que freqüentemente estão atrasados para reuniões e não escutam ligações telefônicas. Eles se esquecem de comer ou de cuidar-se fisicamente de modo adequado. Eles podem viver de refrigerantes e doces, ou ficarem acordados a noite toda escrevendo uma história ou tentando resolver um problema interessante. Eles podem ficar debruçados no computador por horas, ou desaparecer nas pilhas de livros da biblioteca local, apenas para emergir 5 minutos antes do fechamento com os braços cheios de livros enquanto vão em direção à próxima cafeteria para continuar a ler.
Mas isso não significa que Cincos sempre querem estar sozinhos ou que eles não possam ser excelente companhia quando estão com outras pessoas. Quando Cincos encontram alguém cuja inteligência e interesse eles respeitam, eles são invariavelmente conversadores e sociáveis. Cincos amam dividir seus conhecimentos e perícia com qualquer um que aprecie o que eles têm para dizer. Eles também gostam de dividir seus achados com outros, e suas observações das contradições e absurdos da vida são freqüentemente servidas com um senso de humor excêntrico.
O Cinco pode ser o mais enriquecedor dos amigos, já que são uma mina de ouro de informações, especulações e opiniões, e idéias intensamente sentidas. Mas eles também podem ser o mais impenetrável dos enigmas, uma mente eriçada com energia e inteligência que sinaliza “Fique longe! Deixe-me sozinha para seguir meus pensamentos onde quer que eles me levem!”.
Cincos são o tipo de pessoa que os outros normalmente acham estranha, esquisita, e intrigante – sempre tem mais coisa acontecendo do que os olhos podem ver.
Em resumo, Cincos querem entender a realidade, possuir conhecimento, encontrar para si mesmos um nicho que outros ainda não tenham explorado, ser livre para explorar seus próprios mundos internos, ter isolamento e tempo suficiente para seus projetos, sentir-se confiante e capaz, e abalar as certezas inquestionadas dos outros.
Cincos não querem sentir-se desinformados ou incapazes, ter sua competência questionada, aceitar respostas fáceis, ser invadido (ou “dirigido”), ser forçado a reagir antes de se sentir pronto, sofrer com a ignorância de outros, ou pedir ajuda.
Seu Lado Oculto
Dia após dia, mesmo os Cincos mais hábeis socialmente passam mais tempo sozinhos do que qualquer outro tipo. Todavia, Cincos precisam de companhia e conexão assim como todos os seres humanos. O problema é que os Cincos temem precisar do afeto e calor dos outros. É como se eles sentissem que pedir aos outros por qualquer coisa é arriscar uma maior imposição em sua própria liberdade e independência. Eles também acreditam que suas próprias necessidades são tão intensas que se algum dia elas fossem expressas ou até mesmo reconhecidas, seriam demais para os outros. Em alguns casos, eles podem até acreditar que suas necessidades causariam danos aos outros. No fundo, tudo que Cincos realmente querem é encontrar alguém seguro para se conectarem, mas temem que fazê-lo irá custar-lhes qualquer que seja o grau de competência e autoconfiança que eles tenham conquistado. Se Cincos incomodados sentem que sua área de mestria ou sua independência estão em risco, eles podem se retirar de um relacionamento – mesmo se eles realmente amam a pessoa que eles estão deixando.
Questões de Relacionamento
De todos os tipos, Cincos parecem ser mais capazes de viver sem relacionamentos significantes. Mas isso não significa que eles não querem um, apenas que eles geralmente são relutantes em comprometer muito sua abordagem de vida focalizada por um relacionamento. Quando eles encontram alguém que entende seu mundo, que aprecia seus interesses, e que ele respeita, Cincos são amigos, parceiros e amantes leais e apaixonados. Eles podem ser companhias fascinantes que estão constantemente introduzindo novas idéias para seus amigos e parceiros. Podem ser engraçados, afetuosos e altamente sexuais, mas eles não entram facilmente em relacionamentos. Eles permanecem em um equilíbrio inquieto entre o desejo por isolamento e o desejo por conexão significativa. Questões de relacionamento dos Cincos incluem as seguintes:
• Freqüentemente se sentem invadidos e, portanto, muita privacidade e muito tempo sozinho;
• Muitas vezes se sentem rejeitados, e recuam em relação às pessoas;
• Se sentem oprimidos pelas necessidades emocionais dos outros;
• Não expressam seus sentimentos ou dão apenas algumas “dicas” verbais ou não verbais parecendo, deste modo, reservados demais para as outras pessoas;
• Antagonizam ou minam a calma ou as crenças dos outros;
• Cortam contato com as pessoas, retirando-se em isolamento profundo, sentindo que são “venenosos” ou ruins para as pessoas.
A Paixão: Avareza (ou Acumulação)
Abaixo da imagem aparente de competência intelectual que Cincos apresentam para o mundo, esse tipo se sente pequeno e desamparado. Eles sentem-se como se não houvesse o suficiente deles mesmos para todo mundo e que as necessidades dos outros poderiam facilmente esgotá-los. Assim, Cincos procuram minimizar suas interações com outros e com o ambiente e agarrar-se a qualquer que sejam os recursos básicos que eles pensam que precisarão para “se virarem sozinhos”.
areza não é a avidez dos gulosos Setes; antes, é a falta de habilidade em ser aberto e generoso com si mesmo por medo de não ser suficiente. Outra maneira como a avareza é expressa em Cincos é no desejo de memorizar experiências e conhecimento. Cincos tentam segurar qualquer fragmento de informação potencialmente importante que eles tenham encontrado em suas mentes, acreditando que eventualmente eles saberão o suficiente para sentirem-se confiantes e capazes de lidar com qualquer situação possível.
Cincos saudáveis observam tudo com acuidade e discernimento extraordinários. Possuindo uma inteligência penetrante, eles têm a mente altamente curiosa e alerta: não deixam passar quase nada. Cincos saudáveis são capazes de se concentrar profundamente e muitas vezes notam coisas que outras pessoas provavelmente passariam reto, ou não tomariam como importantes. Eles exploram a realidade com um senso de admiração de criança e gostam de encontrar novas maneiras de perceber e fazer as coisas. Eles gostam de fazer perguntas, e com Cincos saudáveis, elas são freqüentemente as perguntas certas. Eles gostam de aprender e ficam animados pelo conhecimento, o que freqüentemente os leva a tornarem-se experts em algum campo. Devido a seu foco e atenção, Cincos saudáveis alcançam mestria do que quer que seja que os interesse.
No Seu Melhor
Cincos “altamente funcionais” tornam-se visionários e inventores, compreendendo amplamente o mundo e ao mesmo tempo penetrando-o profundamente. Eles têm a mente notavelmente aberta, entendendo as coisas precisamente e como um todo. Eles começam a sentir uma conexão profunda com os outros seres humanos e com o universo, e muitas vezes dedicam-se a usar suas habilidades para aliviar o sofrimento e a ignorância humanos. Eles podem contribuir com descobertas pioneiras de algo inteiramente novo para o enriquecimento da humanidade.
No seu melhor, Cincos combinam a sabedoria e o discernimento de suas mentes com coração e coragem de modos que realmente trazem algo novo e valioso para o mundo.
Dinâmicas e Variações de Personalidade
Sob Stress (Cinco vai para o Sete Médio)
Cincos normalmente lidam com dificuldades recuando para suas mentes, onde eles se sentem mais confiantes e no controle. Mas Cincos não podem recuar indefinidamente, e eventualmente eles precisam de estimulação e interação. Cincos também tendem a ser nervosos e tensos, então quando não existe saída para sua energia nervosa, ela se acumula, eventualmente se expressando em inquietação e hiperatividade. (Cincos podem ficar literalmente “sem descanso” – e freqüentemente desenvolvem insônia.) A ansiedade faz com que suas mentes superaqueçam, e pulem de um pensamento para o próximo. Muito do seu foco característico se torna disperso. Depois de ficar sozinho e concentrado por tanto tempo, eles começam a compensar fazendo atividades em excesso e mudando rapidamente de uma idéia ou experiência promissora para outra. Eles se tornam como uma pessoa faminta em um banquete, e seu comportamento disperso e hiperativo pode parecer com o de um Sete médio. Nesses momentos, Cincos normalmente quietos podem tornar-se muito tagarelas, impulsivos e irresponsáveis. Sua ansiedade adjacente é demonstrada em um comportamento compulsivo e até maníaco, de modos semelhantes à de Setes pouco saudáveis.
Segurança (Cinco vai para o Oito Médio)
Na maior parte das vezes, se os Cincos sentem que estão sendo invadidos ou a vontade dos outros está sendo imposta sobre eles, irão simplesmente se retirar silenciosamente se puderem ou se fechar em um silêncio desapegado e desdenhoso. Entretanto, com pessoas ou situações com as quais eles têm mais confiança, Cincos podem de repente arriscar-se a se comportar como um Oito médio, declarando energicamente seus limites e confrontando qualquer um ou qualquer coisa que os desagradar.
Eles se tornam irritáveis, argumentativos, e incansavelmente provocativos. Nessa circunstância, eles tomam uma posição dura, avisando a todos que não pode ser feito de bobo, mas de maneiras que muitas vezes fazem com que as pessoas reajam contra eles. Eles podem tornar-se dominadores, até agressivos, e ao mesmo tempo questionadores da competência dos outros.
Integração (Cinco vai para Oito Saudável)
Á medida que Cincos começam a entender o custo emocional do seu isolamento auto-imposto, eles começam a arriscar um contato mais profundo e completo consigo mesmo e com o mundo. Eles se tornam mais fundamentados, mais em contato com seus corpos e com sua energia vital, dando a eles mais confiança e solidez. À medida que esse processo se aprofunda, Cincos que estão se integrando naturalmente começam a expressar muitas qualidades do Oito saudável: eles demonstram liderança, coragem, sabedoria prática, e disposição em assumir responsabilidades. Eles vão de se sentir pequenos e impotentes para sentir-se fundamentados e capazes. Seu conhecimento e discernimento estão, então, a serviço de necessidades objetivas em seu mundo, e eles são procurados pelos outros como fontes de sabedoria, compaixão e força tranqüila.
Os Instintos
Cincos Auto-Preservacionais: Isolamento
Cincos auto-preservacionais são os Cincos mais introvertidos – os Cincos que mais provavelmente buscarão longos períodos de privacidade e solidão. O acúmulo do Cinco é focado nas áreas de recursos práticos, abrigo, e espaço pessoal. Cincos auto-pres. tentam descobrir com quão poucas necessidades de auto preservação eles conseguem subsistir, provavelmente concordando com a afirmação de Thoreau de que “Um homem é rico em proporção com aquilo que ele pode ficar sem.” São pessoas intensamente privadas, que parecem exigir poucos confortos, mesmo se tiverem uma riqueza pessoa substancial. Até certo ponto, eles apreciam a companhia de pessoas que eles confiam e gostam de dividir seu conhecimento com as pessoas. Também se pode contar com eles para seu senso de humor estranho e bizarro. Apesar de tudo, Cincos Auto-pres. precisam de muito tempo sozinhos para regenerar sua energia. Muitos escolhem viver sozinhos, ou se estão em uma parceria, exigem espaço pessoal (como um escritório ou um canto no porão) no qual outras pessoas, mesmo as que ele ama, não podem entrar. Eles também tendem a acumular objetos pessoais, estocando suas casas como castelos se preparando para um cerco. Apesar de poderem gostar e admirar outras pessoas, eles tentam manter seus relacionamentos poucos e simples, para que possam assim focalizar no que os interessa.
Cincos Sexuais: Esse é meu mundo
Cincos Sexuais focalizam seu acúmulo na área de relacionamentos íntimos. A combinação de instinto e tipo está em desigualdade aqui: a defesa do Cinco é recuar, enquanto o instinto sexual demanda intimidade e conexão. A maioria dos Cincos Sexuais vive em uma trégua desconfortável entre essas influências polares, mas eles buscam resolver essa tensão convidando lentamente potenciais amigos íntimos para seu próprio mundo secreto. Cincos Sexuais são primeiramente focalizados em sua imaginação, mas eles acreditam que a maior parte das pessoas acharia seus pensamentos e suas preocupações misteriosas e até mesmo assustadoras. No mínimo, têm certeza que os outros os achariam estranhos ou excêntricos. Apesar disso, eles querem dividir suas percepções e mundos ocultos e secretamente tem esperança de ter uma conexão profunda com uma única alma, um parceiro para a vida, que possa entendê-los e suas visões às vezes bizarras da realidade. Intimidade para eles implica encontrar outra pessoa que irá explorar os panoramas surreais de seu mundo interno. Eles também buscam em seu parceiro certo grau de ajuda para lidar com pessoas e com os negócios da vida. Eles esperam que seu parceiro interfira por eles e lhes dê confiança para navegar no mundo externo. Se Cincos Sexuais são desapontados no amor, eles podem recuar e se manterem desligados por longos períodos de tempo, até mesmo anos.
Cincos Sociais: O Especialista
Cincos Sociais focalizam sua avareza e acúmulo na esfera social, o que significa que eles socializam através de suas áreas particulares de domínio. Cincos se esforçam para dominar alguma habilidade ou corpo de conhecimento, e eles se relacionam com outros primeiramente através dessa área de mestria. Como os tipos sociais, os Cincos Sociais ficam mais confortáveis interagindo com as pessoas, mas seu esforço é largamente dependente de ter um contexto para estar em uma situação social. Eles precisam de uma tarefa ou função particular que lhes dá a confiança para interagir com as pessoas (por ex, ser o DJ em uma festa, ou ter um tópico de discussão específico em um evento social). Eles gostam de falar intensamente com outras pessoas que compartilham seus (algumas vezes esotéricos) interesses – seja pessoalmente ou pela internet. Cincos Sociais sentem que sua mestria é o que eles podem “trazer para a mesa”, já que eles tomam como tarefa aprender coisas de que outros podem precisar. Embora geralmente quietos, Cincos Sociais podem tornar-se conversadores se sua área de conhecimento é o tópico de conversa – tudo desde computação até trivia sobre filmes ou revista em quadrinhos está valendo. Cincos Sociais menos saudáveis podem se tornar elitistas, sentindo que os outros não são inteligentes o suficiente para entender seus pensamentos ou sua conversa. Eles podem também ser impetuosamente argumentativos, perdendo conexões sociais por reativamente provar que as idéias dos outros são inadequadas.
Fonte: http://www.enneagraminstitute.com/
Tradução: Ju
Reconhecendo CINCOS:
O Tipo Cinco exemplifica o desejo humano de entender, de olhar abaixo da superfície das coisas, e de chegar a um conhecimento mais profundo da realidade. Cincos preferem a vida da mente, tanto como uma maneira de entender o mundo e – dado o poder ilimitado da imaginação – como uma maneira de escapar de aspectos da realidade. Não seria forçado dizer que para muitos Cincos, o mundo interno da mente e da imaginação é mais real e vívido que o mundo externo. Cincos tendem a ter uma experiência e depois passar várias horas, dias – até anos – entendendo-a e seu contexto mais amplo. Cincos são também altamente inovadores e inventivos. Eles amam brincar com conceitos, derrubando as maneiras aceitas de fazer as coisas. Isso pode produzir trabalhos e descobertas extremamente valiosos, práticos e originais, ou simplesmente entretê-los por muitas horas sem resultados práticos.
Cincos são realmente os mais independentes e idiossincráticos dos tipos de personalidade, as pessoas que poderiam ser mais apropriadamente chamadas de “solitário” ou “excluído”. São as pessoas que realmente “marcham em um ritmo diferente”, seguindo seus interesses e curiosidades a qualquer lugar que suas investigações possam levá-los. Alguns Cincos podem parecer completamente estranhos para as pessoas, enquanto outros mantêm sua “estranheza” mais abaixo da superfície. Em ambos os casos, Cincos são intensamente determinados a seguir as questões e idéias que os fascinam: tanto que relacionamentos e considerações financeiras podem tornar-se sem importância para eles.
Essas qualidades resultam de uma habilidade extraordinária de focalizar sua atenção.
Cincos ficarão com um problema ou uma questão que os fascina até que ela seja resolvida, ou até que descubram que ela é insolúvel. Tédio lhes é inimaginável, pois existem tantas coisas fascinantes para explorar, entender e imaginar. O lado negativo é que a sua capacidade de concentração permite que eles fiquem profundamente absorvidos em seus complexos mundos internos, algumas vezes ao ponto de esquecerem o mundo ao seu redor ou até de cuidarem de si mesmos.
Assim, Cincos podem se envolver no trabalho, leitura, ou em seus próprios pensamentos com tal profundidade que freqüentemente estão atrasados para reuniões e não escutam ligações telefônicas. Eles se esquecem de comer ou de cuidar-se fisicamente de modo adequado. Eles podem viver de refrigerantes e doces, ou ficarem acordados a noite toda escrevendo uma história ou tentando resolver um problema interessante. Eles podem ficar debruçados no computador por horas, ou desaparecer nas pilhas de livros da biblioteca local, apenas para emergir 5 minutos antes do fechamento com os braços cheios de livros enquanto vão em direção à próxima cafeteria para continuar a ler.
Mas isso não significa que Cincos sempre querem estar sozinhos ou que eles não possam ser excelente companhia quando estão com outras pessoas. Quando Cincos encontram alguém cuja inteligência e interesse eles respeitam, eles são invariavelmente conversadores e sociáveis. Cincos amam dividir seus conhecimentos e perícia com qualquer um que aprecie o que eles têm para dizer. Eles também gostam de dividir seus achados com outros, e suas observações das contradições e absurdos da vida são freqüentemente servidas com um senso de humor excêntrico.
O Cinco pode ser o mais enriquecedor dos amigos, já que são uma mina de ouro de informações, especulações e opiniões, e idéias intensamente sentidas. Mas eles também podem ser o mais impenetrável dos enigmas, uma mente eriçada com energia e inteligência que sinaliza “Fique longe! Deixe-me sozinha para seguir meus pensamentos onde quer que eles me levem!”.
Cincos são o tipo de pessoa que os outros normalmente acham estranha, esquisita, e intrigante – sempre tem mais coisa acontecendo do que os olhos podem ver.
Em resumo, Cincos querem entender a realidade, possuir conhecimento, encontrar para si mesmos um nicho que outros ainda não tenham explorado, ser livre para explorar seus próprios mundos internos, ter isolamento e tempo suficiente para seus projetos, sentir-se confiante e capaz, e abalar as certezas inquestionadas dos outros.
Cincos não querem sentir-se desinformados ou incapazes, ter sua competência questionada, aceitar respostas fáceis, ser invadido (ou “dirigido”), ser forçado a reagir antes de se sentir pronto, sofrer com a ignorância de outros, ou pedir ajuda.
Seu Lado Oculto
Dia após dia, mesmo os Cincos mais hábeis socialmente passam mais tempo sozinhos do que qualquer outro tipo. Todavia, Cincos precisam de companhia e conexão assim como todos os seres humanos. O problema é que os Cincos temem precisar do afeto e calor dos outros. É como se eles sentissem que pedir aos outros por qualquer coisa é arriscar uma maior imposição em sua própria liberdade e independência. Eles também acreditam que suas próprias necessidades são tão intensas que se algum dia elas fossem expressas ou até mesmo reconhecidas, seriam demais para os outros. Em alguns casos, eles podem até acreditar que suas necessidades causariam danos aos outros. No fundo, tudo que Cincos realmente querem é encontrar alguém seguro para se conectarem, mas temem que fazê-lo irá custar-lhes qualquer que seja o grau de competência e autoconfiança que eles tenham conquistado. Se Cincos incomodados sentem que sua área de mestria ou sua independência estão em risco, eles podem se retirar de um relacionamento – mesmo se eles realmente amam a pessoa que eles estão deixando.
Questões de Relacionamento
De todos os tipos, Cincos parecem ser mais capazes de viver sem relacionamentos significantes. Mas isso não significa que eles não querem um, apenas que eles geralmente são relutantes em comprometer muito sua abordagem de vida focalizada por um relacionamento. Quando eles encontram alguém que entende seu mundo, que aprecia seus interesses, e que ele respeita, Cincos são amigos, parceiros e amantes leais e apaixonados. Eles podem ser companhias fascinantes que estão constantemente introduzindo novas idéias para seus amigos e parceiros. Podem ser engraçados, afetuosos e altamente sexuais, mas eles não entram facilmente em relacionamentos. Eles permanecem em um equilíbrio inquieto entre o desejo por isolamento e o desejo por conexão significativa. Questões de relacionamento dos Cincos incluem as seguintes:
• Freqüentemente se sentem invadidos e, portanto, muita privacidade e muito tempo sozinho;
• Muitas vezes se sentem rejeitados, e recuam em relação às pessoas;
• Se sentem oprimidos pelas necessidades emocionais dos outros;
• Não expressam seus sentimentos ou dão apenas algumas “dicas” verbais ou não verbais parecendo, deste modo, reservados demais para as outras pessoas;
• Antagonizam ou minam a calma ou as crenças dos outros;
• Cortam contato com as pessoas, retirando-se em isolamento profundo, sentindo que são “venenosos” ou ruins para as pessoas.
A Paixão: Avareza (ou Acumulação)
Abaixo da imagem aparente de competência intelectual que Cincos apresentam para o mundo, esse tipo se sente pequeno e desamparado. Eles sentem-se como se não houvesse o suficiente deles mesmos para todo mundo e que as necessidades dos outros poderiam facilmente esgotá-los. Assim, Cincos procuram minimizar suas interações com outros e com o ambiente e agarrar-se a qualquer que sejam os recursos básicos que eles pensam que precisarão para “se virarem sozinhos”.
areza não é a avidez dos gulosos Setes; antes, é a falta de habilidade em ser aberto e generoso com si mesmo por medo de não ser suficiente. Outra maneira como a avareza é expressa em Cincos é no desejo de memorizar experiências e conhecimento. Cincos tentam segurar qualquer fragmento de informação potencialmente importante que eles tenham encontrado em suas mentes, acreditando que eventualmente eles saberão o suficiente para sentirem-se confiantes e capazes de lidar com qualquer situação possível.
Cincos saudáveis observam tudo com acuidade e discernimento extraordinários. Possuindo uma inteligência penetrante, eles têm a mente altamente curiosa e alerta: não deixam passar quase nada. Cincos saudáveis são capazes de se concentrar profundamente e muitas vezes notam coisas que outras pessoas provavelmente passariam reto, ou não tomariam como importantes. Eles exploram a realidade com um senso de admiração de criança e gostam de encontrar novas maneiras de perceber e fazer as coisas. Eles gostam de fazer perguntas, e com Cincos saudáveis, elas são freqüentemente as perguntas certas. Eles gostam de aprender e ficam animados pelo conhecimento, o que freqüentemente os leva a tornarem-se experts em algum campo. Devido a seu foco e atenção, Cincos saudáveis alcançam mestria do que quer que seja que os interesse.
No Seu Melhor
Cincos “altamente funcionais” tornam-se visionários e inventores, compreendendo amplamente o mundo e ao mesmo tempo penetrando-o profundamente. Eles têm a mente notavelmente aberta, entendendo as coisas precisamente e como um todo. Eles começam a sentir uma conexão profunda com os outros seres humanos e com o universo, e muitas vezes dedicam-se a usar suas habilidades para aliviar o sofrimento e a ignorância humanos. Eles podem contribuir com descobertas pioneiras de algo inteiramente novo para o enriquecimento da humanidade.
No seu melhor, Cincos combinam a sabedoria e o discernimento de suas mentes com coração e coragem de modos que realmente trazem algo novo e valioso para o mundo.
Dinâmicas e Variações de Personalidade
Sob Stress (Cinco vai para o Sete Médio)
Cincos normalmente lidam com dificuldades recuando para suas mentes, onde eles se sentem mais confiantes e no controle. Mas Cincos não podem recuar indefinidamente, e eventualmente eles precisam de estimulação e interação. Cincos também tendem a ser nervosos e tensos, então quando não existe saída para sua energia nervosa, ela se acumula, eventualmente se expressando em inquietação e hiperatividade. (Cincos podem ficar literalmente “sem descanso” – e freqüentemente desenvolvem insônia.) A ansiedade faz com que suas mentes superaqueçam, e pulem de um pensamento para o próximo. Muito do seu foco característico se torna disperso. Depois de ficar sozinho e concentrado por tanto tempo, eles começam a compensar fazendo atividades em excesso e mudando rapidamente de uma idéia ou experiência promissora para outra. Eles se tornam como uma pessoa faminta em um banquete, e seu comportamento disperso e hiperativo pode parecer com o de um Sete médio. Nesses momentos, Cincos normalmente quietos podem tornar-se muito tagarelas, impulsivos e irresponsáveis. Sua ansiedade adjacente é demonstrada em um comportamento compulsivo e até maníaco, de modos semelhantes à de Setes pouco saudáveis.
Segurança (Cinco vai para o Oito Médio)
Na maior parte das vezes, se os Cincos sentem que estão sendo invadidos ou a vontade dos outros está sendo imposta sobre eles, irão simplesmente se retirar silenciosamente se puderem ou se fechar em um silêncio desapegado e desdenhoso. Entretanto, com pessoas ou situações com as quais eles têm mais confiança, Cincos podem de repente arriscar-se a se comportar como um Oito médio, declarando energicamente seus limites e confrontando qualquer um ou qualquer coisa que os desagradar.
Eles se tornam irritáveis, argumentativos, e incansavelmente provocativos. Nessa circunstância, eles tomam uma posição dura, avisando a todos que não pode ser feito de bobo, mas de maneiras que muitas vezes fazem com que as pessoas reajam contra eles. Eles podem tornar-se dominadores, até agressivos, e ao mesmo tempo questionadores da competência dos outros.
Integração (Cinco vai para Oito Saudável)
Á medida que Cincos começam a entender o custo emocional do seu isolamento auto-imposto, eles começam a arriscar um contato mais profundo e completo consigo mesmo e com o mundo. Eles se tornam mais fundamentados, mais em contato com seus corpos e com sua energia vital, dando a eles mais confiança e solidez. À medida que esse processo se aprofunda, Cincos que estão se integrando naturalmente começam a expressar muitas qualidades do Oito saudável: eles demonstram liderança, coragem, sabedoria prática, e disposição em assumir responsabilidades. Eles vão de se sentir pequenos e impotentes para sentir-se fundamentados e capazes. Seu conhecimento e discernimento estão, então, a serviço de necessidades objetivas em seu mundo, e eles são procurados pelos outros como fontes de sabedoria, compaixão e força tranqüila.
Os Instintos
Cincos Auto-Preservacionais: Isolamento
Cincos auto-preservacionais são os Cincos mais introvertidos – os Cincos que mais provavelmente buscarão longos períodos de privacidade e solidão. O acúmulo do Cinco é focado nas áreas de recursos práticos, abrigo, e espaço pessoal. Cincos auto-pres. tentam descobrir com quão poucas necessidades de auto preservação eles conseguem subsistir, provavelmente concordando com a afirmação de Thoreau de que “Um homem é rico em proporção com aquilo que ele pode ficar sem.” São pessoas intensamente privadas, que parecem exigir poucos confortos, mesmo se tiverem uma riqueza pessoa substancial. Até certo ponto, eles apreciam a companhia de pessoas que eles confiam e gostam de dividir seu conhecimento com as pessoas. Também se pode contar com eles para seu senso de humor estranho e bizarro. Apesar de tudo, Cincos Auto-pres. precisam de muito tempo sozinhos para regenerar sua energia. Muitos escolhem viver sozinhos, ou se estão em uma parceria, exigem espaço pessoal (como um escritório ou um canto no porão) no qual outras pessoas, mesmo as que ele ama, não podem entrar. Eles também tendem a acumular objetos pessoais, estocando suas casas como castelos se preparando para um cerco. Apesar de poderem gostar e admirar outras pessoas, eles tentam manter seus relacionamentos poucos e simples, para que possam assim focalizar no que os interessa.
Cincos Sexuais: Esse é meu mundo
Cincos Sexuais focalizam seu acúmulo na área de relacionamentos íntimos. A combinação de instinto e tipo está em desigualdade aqui: a defesa do Cinco é recuar, enquanto o instinto sexual demanda intimidade e conexão. A maioria dos Cincos Sexuais vive em uma trégua desconfortável entre essas influências polares, mas eles buscam resolver essa tensão convidando lentamente potenciais amigos íntimos para seu próprio mundo secreto. Cincos Sexuais são primeiramente focalizados em sua imaginação, mas eles acreditam que a maior parte das pessoas acharia seus pensamentos e suas preocupações misteriosas e até mesmo assustadoras. No mínimo, têm certeza que os outros os achariam estranhos ou excêntricos. Apesar disso, eles querem dividir suas percepções e mundos ocultos e secretamente tem esperança de ter uma conexão profunda com uma única alma, um parceiro para a vida, que possa entendê-los e suas visões às vezes bizarras da realidade. Intimidade para eles implica encontrar outra pessoa que irá explorar os panoramas surreais de seu mundo interno. Eles também buscam em seu parceiro certo grau de ajuda para lidar com pessoas e com os negócios da vida. Eles esperam que seu parceiro interfira por eles e lhes dê confiança para navegar no mundo externo. Se Cincos Sexuais são desapontados no amor, eles podem recuar e se manterem desligados por longos períodos de tempo, até mesmo anos.
Cincos Sociais: O Especialista
Cincos Sociais focalizam sua avareza e acúmulo na esfera social, o que significa que eles socializam através de suas áreas particulares de domínio. Cincos se esforçam para dominar alguma habilidade ou corpo de conhecimento, e eles se relacionam com outros primeiramente através dessa área de mestria. Como os tipos sociais, os Cincos Sociais ficam mais confortáveis interagindo com as pessoas, mas seu esforço é largamente dependente de ter um contexto para estar em uma situação social. Eles precisam de uma tarefa ou função particular que lhes dá a confiança para interagir com as pessoas (por ex, ser o DJ em uma festa, ou ter um tópico de discussão específico em um evento social). Eles gostam de falar intensamente com outras pessoas que compartilham seus (algumas vezes esotéricos) interesses – seja pessoalmente ou pela internet. Cincos Sociais sentem que sua mestria é o que eles podem “trazer para a mesa”, já que eles tomam como tarefa aprender coisas de que outros podem precisar. Embora geralmente quietos, Cincos Sociais podem tornar-se conversadores se sua área de conhecimento é o tópico de conversa – tudo desde computação até trivia sobre filmes ou revista em quadrinhos está valendo. Cincos Sociais menos saudáveis podem se tornar elitistas, sentindo que os outros não são inteligentes o suficiente para entender seus pensamentos ou sua conversa. Eles podem também ser impetuosamente argumentativos, perdendo conexões sociais por reativamente provar que as idéias dos outros são inadequadas.
Fonte: http://www.enneagraminstitute.com/
Tradução: Ju
quinta-feira, junho 24, 2010
Definições dos Nove Traços ou Defeitos Principais segundo Gurdjieff
Após analisar detidamente os Traços ou Defeitos Principais definidos por Gurdjieff e confrontá-los com os que outros pesquisadores do Eneagrama destacam, baseados nas descobertas de Ichazo, consegui isolar todas as definições com as quais ele os "retratava" tão magistralmente. Novamente os livros Fragmentos de um ensinamento desconhecido e Gurdjieff fala a seus alunos foram fundamentais para realizar essa pesquisa. Vejamos por Grupos.
Traços Principais dos Tipos 8, 9 e 1 (Centro do Movimento-Questão Nuclear: Esquecimento de Si Mesmos)
Tipos 8:
"Existem diversas espécies de consideração. Na maior parte dos casos, o homem se identifica com o que os outros pensam dele, com a maneira com a qual o tratam, com sua atitude para com ele [...] pensa sempre que as pessoas não o apreciam o suficiente [...] Tudo isso o aborrece, o preocupa, o torna desconfiado; desperdiça em conjecturas ou em suposições enorme quantidade de energia; desenvolve nele, assim, uma atitude desconfiada e hostil para com os outros. Como olharam para ele, o que pensam dele, o que disseram dele, tudo isso assume a seus olhos enorme importância. E considera não só as pessoas, mas a sociedade e as condições históricas. Tudo o que desagrada a tal homem lhe parece injusto, ilegítimo, falso e ilógico. E o ponto de partida de seu julgamento é sempre que as coisas podem e devem ser modificadas. A 'injustiça' é uma dessas palavras que servem freqüentemente de máscara a [este tipo de] 'consideração' [interna]. "
"Existem diversas espécies de consideração. Na maior parte dos casos, o homem se identifica com o que os outros pensam dele, com a maneira com a qual o tratam, com sua atitude para com ele [...] pensa sempre que as pessoas não o apreciam o suficiente [...] Tudo isso o aborrece, o preocupa, o torna desconfiado; desperdiça em conjecturas ou em suposições enorme quantidade de energia; desenvolve nele, assim, uma atitude desconfiada e hostil para com os outros. Como olharam para ele, o que pensam dele, o que disseram dele, tudo isso assume a seus olhos enorme importância. E considera não só as pessoas, mas a sociedade e as condições históricas. Tudo o que desagrada a tal homem lhe parece injusto, ilegítimo, falso e ilógico. E o ponto de partida de seu julgamento é sempre que as coisas podem e devem ser modificadas. A 'injustiça' é uma dessas palavras que servem freqüentemente de máscara a [este tipo de] 'consideração' [interna]. "
Tipos 9:
"[...] Sem auxílio exterior, um homem nunca pode se ver. Por que é assim? Lembrem-se. Dissemos que a observação de si conduz à constatação de que o homem se esquece de si mesmo sem cessar. Sua impotência em lembrar-se de si é um dos traços mais característicos de seu ser e a verdadeira causa de todo o seu comportamento. Essa impotência manifesta-se de mil maneiras. Não se lembra de suas decisões, não se lembra da palavra que deu a si mesmo, não se lembra do que disse ou sentiu há um mês, uma semana ou um dia ou apenas uma hora. Começa um trabalho e logo esquece por que o empreendeu, e é no trabalho sobre si que esse fenômeno se produz com especial freqüência."
"[...] Sem auxílio exterior, um homem nunca pode se ver. Por que é assim? Lembrem-se. Dissemos que a observação de si conduz à constatação de que o homem se esquece de si mesmo sem cessar. Sua impotência em lembrar-se de si é um dos traços mais característicos de seu ser e a verdadeira causa de todo o seu comportamento. Essa impotência manifesta-se de mil maneiras. Não se lembra de suas decisões, não se lembra da palavra que deu a si mesmo, não se lembra do que disse ou sentiu há um mês, uma semana ou um dia ou apenas uma hora. Começa um trabalho e logo esquece por que o empreendeu, e é no trabalho sobre si que esse fenômeno se produz com especial freqüência."
Tipos 1:
"Outro exemplo, talvez pior ainda, é o do homem que considera que na sua opinião, 'deveria' fazer algo, quando na realidade, não tem que fazer absolutamente nada. 'Dever' e 'Não dever' é um problema difícil; em outras palavras, é difícil compreender quando um homem realmente 'deve' e quando 'não deve' (fazer algo)."
"Outro exemplo, talvez pior ainda, é o do homem que considera que na sua opinião, 'deveria' fazer algo, quando na realidade, não tem que fazer absolutamente nada. 'Dever' e 'Não dever' é um problema difícil; em outras palavras, é difícil compreender quando um homem realmente 'deve' e quando 'não deve' (fazer algo)."
Traços Principais dos Tipos 2, 3 e 4 (Centro Emocional-Questão Nuclear: Identificação)
Tipos 2:
"Há duas espécies de amor. Um é o amor escravo. O outro deve ser adquirido pelo trabalho sobre si. O primeiro não tem valor algum; só o segundo, o amor que é fruto de um trabalho interno, tem valor. É o amor de que todas as religiões falam. Se você amar, quando 'isso' [a máscara] ama, esse amor não depende de você e não haverá nenhum mérito nisso. É o que chamamos 'amor de escravo'. Você ama até mesmo quando não deveria amar. As circunstâncias fazem-no amar mecanicamente [...]"
"Há duas espécies de amor. Um é o amor escravo. O outro deve ser adquirido pelo trabalho sobre si. O primeiro não tem valor algum; só o segundo, o amor que é fruto de um trabalho interno, tem valor. É o amor de que todas as religiões falam. Se você amar, quando 'isso' [a máscara] ama, esse amor não depende de você e não haverá nenhum mérito nisso. É o que chamamos 'amor de escravo'. Você ama até mesmo quando não deveria amar. As circunstâncias fazem-no amar mecanicamente [...]"
Tipos 3:
"Sugiro que cada um faça a si mesmo a pergunta 'Quem sou eu?' Estou certo de que 95% de vocês ficarão perturbados... Isso prova que um homem viveu toda a sua vida sem se fazer essa pergunta e considera perfeitamente normal que ele seja 'algo', e até mesmo algo muito precioso, algo que jamais pôs em dúvida. Ao mesmo tempo, é incapaz de explicar a outra pessoa o que esse algo é, incapaz de dar a menor idéia desse algo, porque ele próprio não o sabe. E se não sabe, não será simplesmente porque esse algo não existe, mas apenas se supõe existir? Não é estranho que fechem os olhos, com tão tola complacência, ao que realmente são, e passem a vida na agradável convicção de que representam algo precioso? Esquecem de ver o vazio insuportável por trás da soberba fachada criada por seu auto-engano e não se dão conta de que essa fachada só tem um valor puramente convencional. "
"Sugiro que cada um faça a si mesmo a pergunta 'Quem sou eu?' Estou certo de que 95% de vocês ficarão perturbados... Isso prova que um homem viveu toda a sua vida sem se fazer essa pergunta e considera perfeitamente normal que ele seja 'algo', e até mesmo algo muito precioso, algo que jamais pôs em dúvida. Ao mesmo tempo, é incapaz de explicar a outra pessoa o que esse algo é, incapaz de dar a menor idéia desse algo, porque ele próprio não o sabe. E se não sabe, não será simplesmente porque esse algo não existe, mas apenas se supõe existir? Não é estranho que fechem os olhos, com tão tola complacência, ao que realmente são, e passem a vida na agradável convicção de que representam algo precioso? Esquecem de ver o vazio insuportável por trás da soberba fachada criada por seu auto-engano e não se dão conta de que essa fachada só tem um valor puramente convencional. "
Ouspensky lembra que alguém perguntou: "O que é que não compreendemos?" E Gurdjieff respondeu: "Estão de tal modo habituados a mentir, tanto a si mesmos como aos outros, que não encontram nem palavras nem pensamentos, quando querem dizer a verdade. Dizer a verdade sobre si mesmo é muito difícil. Antes de dizê-la, deve-se conhecê-la. Ora, não sabem nem mesmo em que ela consiste [...]."
Tipos 4:
"Qual o papel do sofrimento no desenvolvimento de si?" Ele respondeu: "Existem duas classes de sofrimento: consciente e inconsciente. Somente um tolo sofre inconscientemente. Na vida existem dois rios, duas direções. No primeiro rio, a lei é somente para o rio, não para as gotas d'água. Nós somos as gotas. Num momento uma gota está na superfície, num outro momento está no fundo. O sofrimento depende da sua posição. No primeiro rio, o sofrimento é completamente inútil, porque é acidental e inconsciente. Paralelo a esse rio tem um outro. Neste outro rio existe outra classe de sofrimento. A gota do primeiro rio tem a possibilidade de passar ao segundo. 'Hoje' a gota sofre porque 'ontem' não sofreu o suficiente. Aqui opera a Lei de Retribuição. A gota também pode sofrer por antecipação, tarde ou cedo tudo se paga. Para o Cosmo o tempo não existe. O sofrimento pode ser voluntário e somente o sofrimento voluntário tem valor. A gente pode sofrer simplesmente porque se sente infeliz. Ou pode sofrer por 'ontem' para preparar-se para o 'amanhã'. Repito: somente o sofrimento voluntário tem valor. "
"Qual o papel do sofrimento no desenvolvimento de si?" Ele respondeu: "Existem duas classes de sofrimento: consciente e inconsciente. Somente um tolo sofre inconscientemente. Na vida existem dois rios, duas direções. No primeiro rio, a lei é somente para o rio, não para as gotas d'água. Nós somos as gotas. Num momento uma gota está na superfície, num outro momento está no fundo. O sofrimento depende da sua posição. No primeiro rio, o sofrimento é completamente inútil, porque é acidental e inconsciente. Paralelo a esse rio tem um outro. Neste outro rio existe outra classe de sofrimento. A gota do primeiro rio tem a possibilidade de passar ao segundo. 'Hoje' a gota sofre porque 'ontem' não sofreu o suficiente. Aqui opera a Lei de Retribuição. A gota também pode sofrer por antecipação, tarde ou cedo tudo se paga. Para o Cosmo o tempo não existe. O sofrimento pode ser voluntário e somente o sofrimento voluntário tem valor. A gente pode sofrer simplesmente porque se sente infeliz. Ou pode sofrer por 'ontem' para preparar-se para o 'amanhã'. Repito: somente o sofrimento voluntário tem valor. "
Traços Principais dos Tipos 5, 6 e 7 (Centro Intelectual-Questão Nuclear: Consideração Interna)
Tipos 5:
"É impossível lembrar-se de si mesmo. E não podemos nos lembrar, porque queremos viver unicamente pelo mental... Talvez vocês se lembrem do que dissemos do homem: nós o comparamos a uma atrelagem com um amo [o Ser], um cocheiro [Centro Intelectual], um cavalo [Centro Emocional] e uma carruagem [Centro do Movimento]. Não podemos nem falar do amo pois ele não está presente; de modo que só podemos falar do cocheiro. Nosso mental é o cocheiro... Todos os interesses que temos em relação à mudança, à transformação de nós mesmos pertencem apenas ao cocheiro, quer dizer, são unicamente de ordem mental... A transformação não se obtém pelo mental; se for pelo mental, não tem nenhuma utilidade. Por essa razão devemos ensinar, e aprender, não por meio do mental, mas do sentimento e do corpo... Naqueles que estão aqui se levantou acidentalmente um desejo de chegar a algo, de mudar alguma coisa. Mas apenas no mental. E nada mudou ainda neles. Não passa de uma idéia que têm na cabeça e cada um permanece o que era. Mesmo aquele que trabalhasse mentalmente durante dez anos, que estudasse dia e noite, que se lembrasse mentalmente e lutasse, mesmo esse não realizaria nada útil ou real, porque mentalmente nada há para mudar. O que deve mudar é a disposição do cavalo. O desejo deve estar no cavalo e a capacidade na carruagem. Mas como já dissemos, a dificuldade é que, devido à má educação moderna, a falta de relação entre nosso corpo (carruagem), nosso sentimento (cavalo) e nosso mental (cocheiro) não foi reconhecida desde a infância, e a maioria das pessoas está tão deformada que não há mais linguagem comum entre uma parte e outra..."
"É impossível lembrar-se de si mesmo. E não podemos nos lembrar, porque queremos viver unicamente pelo mental... Talvez vocês se lembrem do que dissemos do homem: nós o comparamos a uma atrelagem com um amo [o Ser], um cocheiro [Centro Intelectual], um cavalo [Centro Emocional] e uma carruagem [Centro do Movimento]. Não podemos nem falar do amo pois ele não está presente; de modo que só podemos falar do cocheiro. Nosso mental é o cocheiro... Todos os interesses que temos em relação à mudança, à transformação de nós mesmos pertencem apenas ao cocheiro, quer dizer, são unicamente de ordem mental... A transformação não se obtém pelo mental; se for pelo mental, não tem nenhuma utilidade. Por essa razão devemos ensinar, e aprender, não por meio do mental, mas do sentimento e do corpo... Naqueles que estão aqui se levantou acidentalmente um desejo de chegar a algo, de mudar alguma coisa. Mas apenas no mental. E nada mudou ainda neles. Não passa de uma idéia que têm na cabeça e cada um permanece o que era. Mesmo aquele que trabalhasse mentalmente durante dez anos, que estudasse dia e noite, que se lembrasse mentalmente e lutasse, mesmo esse não realizaria nada útil ou real, porque mentalmente nada há para mudar. O que deve mudar é a disposição do cavalo. O desejo deve estar no cavalo e a capacidade na carruagem. Mas como já dissemos, a dificuldade é que, devido à má educação moderna, a falta de relação entre nosso corpo (carruagem), nosso sentimento (cavalo) e nosso mental (cocheiro) não foi reconhecida desde a infância, e a maioria das pessoas está tão deformada que não há mais linguagem comum entre uma parte e outra..."
Tipos 6:
"O homem, às vezes, se perde em pensamentos obsessivos, que voltam e tornam a voltar em relação ao mesmo objeto, às mesmas coisas desagradáveis que imagina, e que não apenas não ocorrerão, mas, de fato, não podem ocorrer. Esses pressentimentos de aborrecimentos, doença, perdas, situações embaraçosas se apoderam muitas vezes de um homem a tal ponto, que assumem a forma de sonhos despertos. As pessoas deixam de ver e ouvir o que realmente acontece, e, se alguém conseguir provar a elas, num caso preciso, que seus pressentimentos e medos são infundados, elas chegam a sentir certa decepção, como se tivessem sido frustradas de uma perspectiva agradável...
"O homem, às vezes, se perde em pensamentos obsessivos, que voltam e tornam a voltar em relação ao mesmo objeto, às mesmas coisas desagradáveis que imagina, e que não apenas não ocorrerão, mas, de fato, não podem ocorrer. Esses pressentimentos de aborrecimentos, doença, perdas, situações embaraçosas se apoderam muitas vezes de um homem a tal ponto, que assumem a forma de sonhos despertos. As pessoas deixam de ver e ouvir o que realmente acontece, e, se alguém conseguir provar a elas, num caso preciso, que seus pressentimentos e medos são infundados, elas chegam a sentir certa decepção, como se tivessem sido frustradas de uma perspectiva agradável...
O medo inconsciente é um aspecto muito característico do sono...
As pessoas não suspeitam até que ponto estão em poder do medo. Esse medo não é fácil de definir. Na maioria dos casos, é o medo de situações embaraçosas, o medo do que o outro pode pensar. Às vezes o medo se torna quase uma obsessão maníaca. "
Tipos 7:
"O homem, bem no seu íntimo, 'exige' que todo mundo o tome por alguém notável, a quem todos deveriam constantemente testemunhar respeito, estima e admiração por sua inteligência, por sua beleza, sua habilidade, seu humor, sua presença de espírito, sua originalidade e todas as suas outras qualidades. Essas 'exigências', por sua vez, baseiam-se na noção completamente fantasiosa que as pessoas têm de si mesmas, o que acontece com muita freqüência, mesmo com pessoas de aparência muito modesta [...]."
"O homem, bem no seu íntimo, 'exige' que todo mundo o tome por alguém notável, a quem todos deveriam constantemente testemunhar respeito, estima e admiração por sua inteligência, por sua beleza, sua habilidade, seu humor, sua presença de espírito, sua originalidade e todas as suas outras qualidades. Essas 'exigências', por sua vez, baseiam-se na noção completamente fantasiosa que as pessoas têm de si mesmas, o que acontece com muita freqüência, mesmo com pessoas de aparência muito modesta [...]."
Fonte: Eneagrama dos Traços ou Defeitos Principais de acordo
com os Nove "Retratos Psicológicos" de Gurdjieff
sexta-feira, junho 04, 2010
ENEATIPO VI. AMOR SUBMISSO E AMOR PATERNALISTA
Falta-nos apenas considerar as perturbações da vida amorosa do medroso. Falar de medo é
falar de desconfiança, e existe incompatibilidade entre a desconfiança e o amor – porque falar de
desconfiança é falar de sentir-se ante um possível inimigo, e não é fácil amar os inimigos.
Se há temor, e porque o temor exige estar em guarda, teme-se a entrega. Teme ser
enganado, submetido, humilhado, controlado; e isto leva também ao autocontrole e à inibição da
corrente da vida em vista de uma excessiva necessidade de proteção.
Não menos importante que tudo isto é, no entanto, a contaminação do amoroso com as
motivações autoritárias que caracterizam este tipo de personalidade. Digo “motivações”, no plural,
para abarcar com o termo tanto a paixão de mandar como a mais comum paixão de obedecer – ou,
melhor, de ter uma autoridade para seguir.
Ainda que na apresentação que fiz dos caracteres não assinalei as três variedades de cada
um deles segundo a protoanálise, faz-se necessário, no caso dos autoritários-suspicazes que
constituem nosso EVI, diferenciar aqueles demasiado inclinados ao culto de heróis, daqueles que
tendem à grandiosidade e a uma visão heróica de si mesmos. No primeiro caso, trata-se de pessoas
muito dependentes, para quem a angústia de escolher e a insegurança com respeito a suas próprias
capacidades os leva a uma excessiva necessidade de pai. No segundo, aqueles que, em rivalidade
com seu próprio pai (às vezes em corpo de mãe) assumem a autoridade e se elevam em relação
aos demais esperando sua subordinação. Assim como a angústia dos primeiros se acalma ao
encontrar protetores, tranqüiliza aos segundos sentirem-se poderosos e obedecidos – como mostra
uma caricatura de Hitler: ante uma imensa assembléia, rodeado por seu estado maior, em um
estádio em que se ergue uma grande suástica, abre seu discurso dizendo: “Creio poder dizer sem
medo de equivocar-me...”
É de interesse saber que Hitler, mal-tratado por seu pai quando criança, desenvolveu a
intenção de dar um bom pai ao seu país. Os exemplos extremos (assim como o exagero da
caricatura) nos ajudam a compreender o mais sutil, como no caso de muitos que vão pela vida
oferecendo-se como pais aos necessitados de autoridade. Para alguém que gosta de mandar, a
obediência é uma declaração de amor, para conseguir filhos obedientes, não obstante, terá que se
oferecer como pai benevolente, como o lobo vestido de ovelha na fábula.
No entanto, não é mais amoroso que o rol de pai o rol de filho, e a maioria dos covardes
passam a vida como orfãozinhos, buscando a proteção de alguém mais forte. Sua posição poderia
traduzir-se em um intercâmbio de admiração e reconhecimento. “Aceita-me como filho e te darei
minha devoção filial”.
Não é que não existam diferenças de estatura na mente como no corpo, e não é que numa
relação determinada esteja bem que um ou outro tome certo tipo de decisões; porém não é
igualmente certo que a maior parte das pessoas é incapaz de relações fraternais igualitárias? É esta
a perturbação do amor que surge em resposta ao medo, e que é característica das pessoas em cuja
personalidade ele é central. Assim como alguns vão pela vida demasiado orfãozinhos buscando
proteção, existem outros que vão demasiado “paternalisticamente”. Um seduz pela inofensividade; o
outro oferecendo orientação e seu conhecimento de certas verdades. Trata-se, pois, de um pai que
diz como são as coisas, que se apaixona em ser um mestre, e que pede adesão, fidelidade e
obediência não só com os atos, mas também na maneira de ver.
Independente de ser um problema a desconfiança ou a excessiva entrega a partir de um
sentimento de obrigação ou dever temeroso, existe o problema da ambivalência: existem amor e
ódio; confiança e desconfiança; domínio e, outras vezes, submissão – e uma contínua pergunta
acerca de qual seja o sentimento verdadeiro ou a atitude certa. Penso que quando Freud definiu a maturidade como um deixar para trás a ambivalência
infantil, disse algo de validade universal, porém especialmente descritivo da situação do EVI, para
quem chegar a amar é destituir-se do ódio inerente à sua situação de inimizade frente a um mundo
fantasmagórico.
Além da presença da agressão no ambivalente mundo do temeroso, o amor dificulta seu
caráter acusatório que pode fazer-se torturador.
Não se pode falar de amor a alguém quando se tem a posição autocondenadora
característica da psiquis do EVI. Falta amor pela própria criança interior nesta psiquis que funciona a
partir do controle – enaltecendo o dever – mais que a partir do desejo. Pode-se dizer que,
acusatoriamente, o temeroso se endemoniza: um demônio interior aponta para fora de si dizendo “lá
está o demônio” e os principais acusados são a espontaneidade e o corpo. Tudo tem que passar
pelo controle consciente, porque implicitamente se pensa (na linha de Freud) que se tem um fundo
monstruoso que, se liberado seria algo horrível e incompatível com a vida civilizada.
No tocante às relações de casal e ao mundo social, aparecem o medo e a agressão em
contínuo intercâmbio. Teme-se a espontaneidade como se fosse agressão e a repressão engendra
agressão verdadeira. Seguramente a quantia de agressão em nosso mundo é, em parte, reflexo da
grande proeminência do caráter EVI em seu seio.
Com respeito ao mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas, pode parecer que os
EVI não são culpáveis como o são em sua falta para com os outros dois amores. Existe uma
tendência religiosa, uma tendência ao arquetípico, ao mundo ideal, que às vezes se torna um
substituto de valor no mundo da ação, como sugere esta história de Nasruddin na qual um alfaiate
diz que vai entregar um traje para certa festa “se Deus quiser”. O cliente lhe pergunta: “E quando
seria se deixarmos Deus fora do assunto?”. Também o religioso substitui o aspecto emocional
interpessoal. Basta pensar no amor de tantos nazistas por sua mitologia, seus clássicos e a grande
música, em uma atitude segundo a qual “meu Deus é maior que teu Deus, minha cultura é maior que
a tua” ou “estou mais próximo da grandeza que tu”.
O indivíduo sente-se endeusado pela proximidade a seu Deus, porém nisto existe algo
dessa paixão de endeusamento que é parte do sistema paranóide. Nele a busca de amor se
transforma em anseio de poder, que é por sua vez desejo de identificar-se com o pai poderoso.
Canetti o ilustra em seu personagem que ruge do alto do Sinai com grande juba. De forma
paternalista quer confundir o outro (e seguramente se confunde) em interpretar, como amor aos
demais, sua paixão de lhes impor a verdade segundo o Livro dos Livros. É assim como o amor a
ideologias ou a personagens quase divinos se sente próximo ao amor a Deus, porém trata-se de
uma espécie de narcisismo vicário; como uma criança que diz à outra de sua idade “meu pai é maior
que teu pai, olhe como é grande o meu pai”.
falar de desconfiança, e existe incompatibilidade entre a desconfiança e o amor – porque falar de
desconfiança é falar de sentir-se ante um possível inimigo, e não é fácil amar os inimigos.
Se há temor, e porque o temor exige estar em guarda, teme-se a entrega. Teme ser
enganado, submetido, humilhado, controlado; e isto leva também ao autocontrole e à inibição da
corrente da vida em vista de uma excessiva necessidade de proteção.
Não menos importante que tudo isto é, no entanto, a contaminação do amoroso com as
motivações autoritárias que caracterizam este tipo de personalidade. Digo “motivações”, no plural,
para abarcar com o termo tanto a paixão de mandar como a mais comum paixão de obedecer – ou,
melhor, de ter uma autoridade para seguir.
Ainda que na apresentação que fiz dos caracteres não assinalei as três variedades de cada
um deles segundo a protoanálise, faz-se necessário, no caso dos autoritários-suspicazes que
constituem nosso EVI, diferenciar aqueles demasiado inclinados ao culto de heróis, daqueles que
tendem à grandiosidade e a uma visão heróica de si mesmos. No primeiro caso, trata-se de pessoas
muito dependentes, para quem a angústia de escolher e a insegurança com respeito a suas próprias
capacidades os leva a uma excessiva necessidade de pai. No segundo, aqueles que, em rivalidade
com seu próprio pai (às vezes em corpo de mãe) assumem a autoridade e se elevam em relação
aos demais esperando sua subordinação. Assim como a angústia dos primeiros se acalma ao
encontrar protetores, tranqüiliza aos segundos sentirem-se poderosos e obedecidos – como mostra
uma caricatura de Hitler: ante uma imensa assembléia, rodeado por seu estado maior, em um
estádio em que se ergue uma grande suástica, abre seu discurso dizendo: “Creio poder dizer sem
medo de equivocar-me...”
É de interesse saber que Hitler, mal-tratado por seu pai quando criança, desenvolveu a
intenção de dar um bom pai ao seu país. Os exemplos extremos (assim como o exagero da
caricatura) nos ajudam a compreender o mais sutil, como no caso de muitos que vão pela vida
oferecendo-se como pais aos necessitados de autoridade. Para alguém que gosta de mandar, a
obediência é uma declaração de amor, para conseguir filhos obedientes, não obstante, terá que se
oferecer como pai benevolente, como o lobo vestido de ovelha na fábula.
No entanto, não é mais amoroso que o rol de pai o rol de filho, e a maioria dos covardes
passam a vida como orfãozinhos, buscando a proteção de alguém mais forte. Sua posição poderia
traduzir-se em um intercâmbio de admiração e reconhecimento. “Aceita-me como filho e te darei
minha devoção filial”.
Não é que não existam diferenças de estatura na mente como no corpo, e não é que numa
relação determinada esteja bem que um ou outro tome certo tipo de decisões; porém não é
igualmente certo que a maior parte das pessoas é incapaz de relações fraternais igualitárias? É esta
a perturbação do amor que surge em resposta ao medo, e que é característica das pessoas em cuja
personalidade ele é central. Assim como alguns vão pela vida demasiado orfãozinhos buscando
proteção, existem outros que vão demasiado “paternalisticamente”. Um seduz pela inofensividade; o
outro oferecendo orientação e seu conhecimento de certas verdades. Trata-se, pois, de um pai que
diz como são as coisas, que se apaixona em ser um mestre, e que pede adesão, fidelidade e
obediência não só com os atos, mas também na maneira de ver.
Independente de ser um problema a desconfiança ou a excessiva entrega a partir de um
sentimento de obrigação ou dever temeroso, existe o problema da ambivalência: existem amor e
ódio; confiança e desconfiança; domínio e, outras vezes, submissão – e uma contínua pergunta
acerca de qual seja o sentimento verdadeiro ou a atitude certa. Penso que quando Freud definiu a maturidade como um deixar para trás a ambivalência
infantil, disse algo de validade universal, porém especialmente descritivo da situação do EVI, para
quem chegar a amar é destituir-se do ódio inerente à sua situação de inimizade frente a um mundo
fantasmagórico.
Além da presença da agressão no ambivalente mundo do temeroso, o amor dificulta seu
caráter acusatório que pode fazer-se torturador.
Não se pode falar de amor a alguém quando se tem a posição autocondenadora
característica da psiquis do EVI. Falta amor pela própria criança interior nesta psiquis que funciona a
partir do controle – enaltecendo o dever – mais que a partir do desejo. Pode-se dizer que,
acusatoriamente, o temeroso se endemoniza: um demônio interior aponta para fora de si dizendo “lá
está o demônio” e os principais acusados são a espontaneidade e o corpo. Tudo tem que passar
pelo controle consciente, porque implicitamente se pensa (na linha de Freud) que se tem um fundo
monstruoso que, se liberado seria algo horrível e incompatível com a vida civilizada.
No tocante às relações de casal e ao mundo social, aparecem o medo e a agressão em
contínuo intercâmbio. Teme-se a espontaneidade como se fosse agressão e a repressão engendra
agressão verdadeira. Seguramente a quantia de agressão em nosso mundo é, em parte, reflexo da
grande proeminência do caráter EVI em seu seio.
Com respeito ao mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas, pode parecer que os
EVI não são culpáveis como o são em sua falta para com os outros dois amores. Existe uma
tendência religiosa, uma tendência ao arquetípico, ao mundo ideal, que às vezes se torna um
substituto de valor no mundo da ação, como sugere esta história de Nasruddin na qual um alfaiate
diz que vai entregar um traje para certa festa “se Deus quiser”. O cliente lhe pergunta: “E quando
seria se deixarmos Deus fora do assunto?”. Também o religioso substitui o aspecto emocional
interpessoal. Basta pensar no amor de tantos nazistas por sua mitologia, seus clássicos e a grande
música, em uma atitude segundo a qual “meu Deus é maior que teu Deus, minha cultura é maior que
a tua” ou “estou mais próximo da grandeza que tu”.
O indivíduo sente-se endeusado pela proximidade a seu Deus, porém nisto existe algo
dessa paixão de endeusamento que é parte do sistema paranóide. Nele a busca de amor se
transforma em anseio de poder, que é por sua vez desejo de identificar-se com o pai poderoso.
Canetti o ilustra em seu personagem que ruge do alto do Sinai com grande juba. De forma
paternalista quer confundir o outro (e seguramente se confunde) em interpretar, como amor aos
demais, sua paixão de lhes impor a verdade segundo o Livro dos Livros. É assim como o amor a
ideologias ou a personagens quase divinos se sente próximo ao amor a Deus, porém trata-se de
uma espécie de narcisismo vicário; como uma criança que diz à outra de sua idade “meu pai é maior
que teu pai, olhe como é grande o meu pai”.
quarta-feira, junho 02, 2010
ENEATIPO III. AMOR NARCISISTA
Enquanto me pergunto como ou o que é o amor-vão, evoco uma cena de um antigo filme
sobre as mulheres de Henrique VIII em que uma de suas amantes irrompe na sala do palácio no
mesmo momento em que o verdugo se dispõe a cortar a cabeça de sua predecessora. Vai
perguntar-lhe qual é o vestido que deve usar esta noite. O que sobressai na cena é a monstruosa
desconexão de um mínimo laço amoroso por sua rival, absorta como está em seu próprio prazer.
Porém não se trata de um prazer propriamente dito, mas de um produto deserotizado do eros: a
paixão por sua aparência.
Que a vaidade seja um produto da degradação do amor, recorda-me particularmente o
sonho de uma mulher de caráter vaidoso no qual, em meio a uma grande conflagração mundial, só
queria que a levassem para comprar um vestido, dando claras mostras de que não lhe interessava o
que estava acontecendo. Sente-se na cena como uma menininha que quer a si mesma e deseja que
a queiram por esta distinção.
Tal preocupação com a imagem chama-se comumente “narcisismo”, e por isto se poderia
falar do amor do vaidoso como um amor narcisista. Ainda que o termo “narcisista” tenha sido
aplicado a diversos tipos humanos, e o interesse por roupas, cosméticos e aparência pessoal seja
somente uma das manifestações do narcisismo próprio do eneatipo III, tão freqüente como a
imagem de si como pessoa competente, como alguém que pode fazer, e tem capacidades.
Antecipando-me um pouco ao tema do capítulo final (sobre os males da sociedade) direi que o
competitivo afã de eficiência asfixia a própria capacidade amorosa e torna irrelevante a alheia. Uma
breve historieta de Quino o expressa muito bem: vê-se num primeiro quadro, alguém como um
empresário, sentado em seu escritório, lendo uma passagem do evangelho que diz que “é mais fácil
um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Na imagem
seguinte, ele aparece telefonando para o Museu de História Natural do Cairo para informar-se das
dimensões de um camelo. Em seguida, encarrega sua secretária de fazer uma chamada para a
metalúrgica Krupp… somos narcisistas tanto quanto vendemos nossas almas pela glória – uma
entidade que só existe no olho alheio. É paradoxal que um aparente amor a si mesmo (indulgência
quanto ao próprio desejo tipo menininha que quer que lhe comprem um vestido) conviva com uma
incapacidade de valorizar a si mesmo. A própria valorização faz-se dependente de um espectador
que aprova, quer e distingue ou, mais exatamente, a valorização do mundo torna-se um paliativo
que distrai da vivência de vacuidade, artificialidade e perda de identidade.
Trabalhar para a própria imagem distrai de trabalhar para si, e do mesmo modo constitui
uma anteposição ao natural e espontâneo resultando em uma boa capacidade de controle sobre os
próprios atos. Porém um excessivo autodomínio supõe um obstáculo para a capacidade amorosa,
pois implica em uma não-capacidade de entrega. Tão acentuada está a valorização do controle que
empalidece a do amor, que pode ser sentido como algo secundário em relação ao trabalho ou ao
êxito, algo sentimental, piegas, de mau gosto.
Uma complicação é a competição com o companheiro; outra, o excessivo controle do
companheiro ou dos filhos; uma terceira, a dificuldade da entrega, que pode manifestar-se a nível
físico como na caricatura de Jodorowsky: um super-homem sexual elástico com infinitos dedos que
terminam em línguas, com uma extraordinária capacidade de dar prazer que tanto o absorve que
não lhe sobra atenção para gozar. Por trás desta incapacidade de entrega está a desconfiança, o
medo da rejeição, o medo de cair no vazio; uma desesperança de fundo num caráter aparentemente
otimista: sentir que tem que manter tudo sob controle, cuidar de si mesmo.
Para a pessoa cuja imagem exige autodomínio e domínio das situações pode ser que o
anseio de amor se associe a um anseio de deixar-se dominar, e com razão, pois somente com a
renúncia do seu próprio domínio e manipulação pode permitir-se ser profundamente tocada. Lembro-
me de ter visto este tema tratado no cinema em Swept away, onde uma mulher desenvolve uma
paixão intensa por seu companheiro de naufrágio depois que este a seduz. No entanto, passado o
período em que o amor envolve sacrifício de vaidade, este pode ser reinterpretado como mero
masoquismo, e igualmente ocorre quando o sacrifício da própria imagem não chega a ser
correspondido com o amor desejado.
O amor narcisista é um falso amor, diferente do amor acariciante do EII já que se expressa
mais em atos do que na expressão emocional. Associa-se a uma atitude efetivamente mais serviçal.
No entanto é mais terno que o EI, cuja benevolência é menos sentida. Todavia, ante a frustração,
torna-se acusador e adota uma posição de vítima agressiva. Não é que reclame como o EIV, pois
fala pouco o que sente, porém com sua acusação fere a autoestima de quem o frustrou. Expressa a
sua raiva sem escândalo aparente, porém com palavras cortantes, precisas e afiadas – e
preferivelmente diante de testemunhas. É nestes momentos, nestas fases da relação, que se torna
mais notório o fato de que não acredita verdadeiramente no amor. Mesmo quando o recebe não
pode acreditar nele, pois não poderia ser resultado de sua arte de seduzir e de sua aparência, de
sua capacidade de deslumbrar e de ocultar os próprios defeitos? A dúvida – mesmo que afastada da
consciência – alimenta a sedução, e quanto mais se entrega ao cultivo de sua imagem, mais à
mercê do outro fica e mais se defende dele através do domínio de si e do cultivo da independência.
Sua independência se nutre da dependência de outros: é o poder que confirma o haver-se tornado
indispensável. O amor do EIII, portanto sabe fazer-se indispensável e alimenta a dependência.
Enganam-se o homem e a mulher plásticos, ao desconhecer sua inumanidade e assim
poder manter uma ilusão de benevolência. Dominam o papel amoroso, como dominam
eficientemente todos os papéis; ignorantes do seu sentir, confundem facilmente o sentimento
imaginado com a realidade. O mesmo rol amoroso pode ser difícil de sustentar, dado que a
intensidade da paixão por gostar gera intolerância à crítica ante o perigo da frustração. As facetas da
perturbação amorosa que então aparecem são a frieza e a agressão.
O amor ao tu está submerso na própria imagem. É, um amor cimentado na necessidade de
validação pelo outro; orienta-se a serviço da necessidade do outro e pode-se dizer que o segundo
serve ao primeiro (quer dizer, a necessidade do outro é primária, e a generosidade, uma estratégia
sedutora).
No mundo das relações em geral, pode-se afirmar que este caráter necessita do outro, por
que se sente através do seu reconhecimento; é mais amistoso do que a maioria, mais extrovertido,
mais voltado para o outro. Irradia alegria, benevolência e adaptabilidade, mas também
superficialidade. Tanto no plano social como no das relações sentimentais pode-se falar de um amor
sedutor, já que aparenta estar mais com o outro do que verdadeiramente está, e encobre a forma
como se serve dele. Uma obra prima na retratação desta situação é o personagem de Becky em La
feria de las vanidades (A feira das vaidades) de William M. Thackeray.
O amor a Deus no caráter vaidoso tende a ser eclipsado pelo amor humano em suas duas
formas: amor a si e ao próximo. Este traço característico seguramente contribui para a secularização
da cultura norte-americana e do mundo moderno em geral. O sentido prático e o utilitarismo
predominam sobre os valores universais; admira-se as pessoas porém não se valoriza o abstrato ou
transpessoal. Quanto a um caminho espiritual trata-se no geral do tipo de pessoa que diria: “Que
caminho?” Enfim, uma pessoa mundana, como caricaturiza Chaucer no personagem do monge
elegante e prático em Contos de Canterbury.
domingo, maio 30, 2010
ENEATIPO IX. AMOR COMPLACENTE
Neste caso pode-se pensar no amor preguiçoso como o de alguém que não está
plenamente vivo. Um amor tíbio, a “meio-fogo”, em que a pessoa não está inteira; oposto ao amor-
paixão, pode-se caracterizar como um amor fleumático.
Igualmente cabe dizer que é um amor distraído. Está disposto a dar muito no plano da ação,
mas lhe falta atenção à verdadeira necessidade do outro. Vem à minha mente como instância
concreta desta falta de atenção à verdadeira interioridade do outro o que alguém comentou uma vez
de sua - por demais prestigiosa – analista: “É como uma nana.” Um cuidado bem intencionado onde
falta comunicação profunda, empatia e entusiasmo. Seguramente são os EIX aqueles que mais
freqüentemente dão ao outro aquilo a que se refere a expressão “presente de grego”: um presente
caro com o qual o destinatário não sabe o que fazer nem onde por.
O amor maternal do EIX pode ser inclusive percebido como invasão. Conheço, por exemplo,
alguém que recorda haver-se sentido asfixiada pelo peito da mãe. Ainda que se trate de uma
recordação real ou de uma extrapolação ao passado de experiências posteriores e inclusive
presentes, seu conteúdo é significativo. A menina sentia-se também sufocada pela pesada colcha
sobre sua cama, recordação em que parece cristalizar seu sentimento de moléstia ante a mãe que
velava por ela em um sentido concreto, mas por quem não se sentia abrigada em um sentido íntimo.
Pode tratar-se de um amor que não escuta, mas que impõe ao outro sua própria compulsão
de maternidade ou abnegação conjugal. A situação foi comicamente expressada por Woody Alen em
uma imagem de seu filme Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo...: um grande peito
avança distribuindo leite como um abastecedor e assolando a paisagem.
O papel de uma pessoa generosa supõe quase uma segunda natureza, mais que um rol
consciente, faz parte da estrutura da personalidade que a pessoa seja abnegada. Mais
inconscientemente que em outros caracteres, trata-se de um amor sedutor pois o indivíduo começou
muito precocemente a sentir que necessitava renunciar seus próprios interesses para ser aceitável.
Talvez não estivesse seguro de sua situação familiar – como no caso de uma criança adotada – e
sentiu que não merece, que não está à altura, que poderia perder seu lugar. Ou foi o sétimo filho de
uma família de dez e, para fazer-se ver e escutar, para sobressair, não encontrou outra maneira
senão a de não dar problemas. Em outras palavras, seu presente aos pais é a negação de suas
necessidades, de sua frustração, de seu clamor ou exigência.
Já que a adaptação aos desejos e exigências alheios se faz predominantemente através da
conduta, o amor no EIX é – como no caso do EI – um amor ativo, e em seu aspecto aberrante pode
caracterizar-se como abnegação ou benevolência sem a experiência do amor. Tanto na relação
entre os sexos como na maternidade, trata-se de um amor institucionalizado, ajustado a um papel
social costumeiro.
A desatenção ou desinteresse com respeito à experiência mais íntima do outro pode ser
entendida como uma revanche por sua excessiva deferência para com o outro (no plano do concreto
e prático): uma “agressão passiva”. Outras formas semelhantes são a negligência, os atos falhos, os
esquecimentos e, inclusive, a obediência automática quando esta se torna destrutiva.
Ao examinar a experiência amorosa do EIX em termos da tríade de aspectos fundamentais
do amor vemos que predomina o amor ao próximo, enquanto que o amor por si mesmo é sentido
como a mais profunda proibição. O amor a Deus tende a ser uma experiência menos proeminente
que o amor humano, ainda que uma forte tendência religiosa possa fazer pensar que às vezes não
seja bem assim. A tendência religiosa deste tipo de pessoas tende a ser resultado da identificação
com os valores da sociedade e de seu amor ao rito, e pode tratar-se de uma pessoa ativa e às vezes
piedosa e, não obstante, desespiritualizada pois sua relação com o divino não implica em uma
disposição (ou um interesse) à vivência mística.
Parece, no entanto, que para alguns o amor à atividade artística constitui uma ponte entre o
material e o espiritual: a arte é um fazer, uma atividade (especialmente o esculpir ou pintar, cujo
produto é concreto) e, contudo, um veículo de experiência espiritual e emocional às vezes velada.
Chamou-me a atenção ao revisar diversas biografias, encontrar tanto políticos como artistas entre os
eneatipos IX. Parece que uns são os EIX “propriamente ditos” e, outros IX, aqueles que encontraram
o contrapeso para uma vida excessivamente prática num fazer artístico interiorizante.
Há muito de mãe no EIX, como se o doador se intensificasse com o papel de mãe; ainda
que em seu momento lhe faltou um profundo amor e se resignou a não senti-lo, é como se quisesse
preencher esta carência com seu próprio dar ao outro, projetando sua necessidade em um terceiro.
A renúncia é altruísta e a necessidade do outro passa a ser a própria; o outro passa a ser, pois, um
substituto de si, de seu ser.
Os acidiosos (e particularmente um subgrupo deles) se permitem, contudo, uma forma
especial de amor a si mesmos; uma forma particular de amar-se a si próprio que é às vezes um
desvio ou perversão: o amor-comodidade. Por muito trabalho que possa dar o pôr-se cômodo, é um
substituto do verdadeiro amor a si mesmo, uma compensação - através da comodidade, o não-conflito e a suavidade - de uma frustração mais profunda. Expressões deste amor-comodidade são o
álcool, o tabaco e a comida. O afeto, inalcançável, é substituído por tais estímulos em tipos como o
gregário Mister Babbit, com seu charuto.
A falta de amor a si mesmo no EIX manifesta-se no desconhecimento de suas próprias
necessidades profundas, a desconexão da criança interior, a perda de espontaneidade lúdica, o ter-
se feito adulto antes do tempo e muitas vezes, de forma muito visível, a tomada de
responsabilidades.
plenamente vivo. Um amor tíbio, a “meio-fogo”, em que a pessoa não está inteira; oposto ao amor-
paixão, pode-se caracterizar como um amor fleumático.
Igualmente cabe dizer que é um amor distraído. Está disposto a dar muito no plano da ação,
mas lhe falta atenção à verdadeira necessidade do outro. Vem à minha mente como instância
concreta desta falta de atenção à verdadeira interioridade do outro o que alguém comentou uma vez
de sua - por demais prestigiosa – analista: “É como uma nana.” Um cuidado bem intencionado onde
falta comunicação profunda, empatia e entusiasmo. Seguramente são os EIX aqueles que mais
freqüentemente dão ao outro aquilo a que se refere a expressão “presente de grego”: um presente
caro com o qual o destinatário não sabe o que fazer nem onde por.
O amor maternal do EIX pode ser inclusive percebido como invasão. Conheço, por exemplo,
alguém que recorda haver-se sentido asfixiada pelo peito da mãe. Ainda que se trate de uma
recordação real ou de uma extrapolação ao passado de experiências posteriores e inclusive
presentes, seu conteúdo é significativo. A menina sentia-se também sufocada pela pesada colcha
sobre sua cama, recordação em que parece cristalizar seu sentimento de moléstia ante a mãe que
velava por ela em um sentido concreto, mas por quem não se sentia abrigada em um sentido íntimo.
Pode tratar-se de um amor que não escuta, mas que impõe ao outro sua própria compulsão
de maternidade ou abnegação conjugal. A situação foi comicamente expressada por Woody Alen em
uma imagem de seu filme Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo...: um grande peito
avança distribuindo leite como um abastecedor e assolando a paisagem.
O papel de uma pessoa generosa supõe quase uma segunda natureza, mais que um rol
consciente, faz parte da estrutura da personalidade que a pessoa seja abnegada. Mais
inconscientemente que em outros caracteres, trata-se de um amor sedutor pois o indivíduo começou
muito precocemente a sentir que necessitava renunciar seus próprios interesses para ser aceitável.
Talvez não estivesse seguro de sua situação familiar – como no caso de uma criança adotada – e
sentiu que não merece, que não está à altura, que poderia perder seu lugar. Ou foi o sétimo filho de
uma família de dez e, para fazer-se ver e escutar, para sobressair, não encontrou outra maneira
senão a de não dar problemas. Em outras palavras, seu presente aos pais é a negação de suas
necessidades, de sua frustração, de seu clamor ou exigência.
Já que a adaptação aos desejos e exigências alheios se faz predominantemente através da
conduta, o amor no EIX é – como no caso do EI – um amor ativo, e em seu aspecto aberrante pode
caracterizar-se como abnegação ou benevolência sem a experiência do amor. Tanto na relação
entre os sexos como na maternidade, trata-se de um amor institucionalizado, ajustado a um papel
social costumeiro.
A desatenção ou desinteresse com respeito à experiência mais íntima do outro pode ser
entendida como uma revanche por sua excessiva deferência para com o outro (no plano do concreto
e prático): uma “agressão passiva”. Outras formas semelhantes são a negligência, os atos falhos, os
esquecimentos e, inclusive, a obediência automática quando esta se torna destrutiva.
Ao examinar a experiência amorosa do EIX em termos da tríade de aspectos fundamentais
do amor vemos que predomina o amor ao próximo, enquanto que o amor por si mesmo é sentido
como a mais profunda proibição. O amor a Deus tende a ser uma experiência menos proeminente
que o amor humano, ainda que uma forte tendência religiosa possa fazer pensar que às vezes não
seja bem assim. A tendência religiosa deste tipo de pessoas tende a ser resultado da identificação
com os valores da sociedade e de seu amor ao rito, e pode tratar-se de uma pessoa ativa e às vezes
piedosa e, não obstante, desespiritualizada pois sua relação com o divino não implica em uma
disposição (ou um interesse) à vivência mística.
Parece, no entanto, que para alguns o amor à atividade artística constitui uma ponte entre o
material e o espiritual: a arte é um fazer, uma atividade (especialmente o esculpir ou pintar, cujo
produto é concreto) e, contudo, um veículo de experiência espiritual e emocional às vezes velada.
Chamou-me a atenção ao revisar diversas biografias, encontrar tanto políticos como artistas entre os
eneatipos IX. Parece que uns são os EIX “propriamente ditos” e, outros IX, aqueles que encontraram
o contrapeso para uma vida excessivamente prática num fazer artístico interiorizante.
Há muito de mãe no EIX, como se o doador se intensificasse com o papel de mãe; ainda
que em seu momento lhe faltou um profundo amor e se resignou a não senti-lo, é como se quisesse
preencher esta carência com seu próprio dar ao outro, projetando sua necessidade em um terceiro.
A renúncia é altruísta e a necessidade do outro passa a ser a própria; o outro passa a ser, pois, um
substituto de si, de seu ser.
Os acidiosos (e particularmente um subgrupo deles) se permitem, contudo, uma forma
especial de amor a si mesmos; uma forma particular de amar-se a si próprio que é às vezes um
desvio ou perversão: o amor-comodidade. Por muito trabalho que possa dar o pôr-se cômodo, é um
substituto do verdadeiro amor a si mesmo, uma compensação - através da comodidade, o não-conflito e a suavidade - de uma frustração mais profunda. Expressões deste amor-comodidade são o
álcool, o tabaco e a comida. O afeto, inalcançável, é substituído por tais estímulos em tipos como o
gregário Mister Babbit, com seu charuto.
A falta de amor a si mesmo no EIX manifesta-se no desconhecimento de suas próprias
necessidades profundas, a desconexão da criança interior, a perda de espontaneidade lúdica, o ter-
se feito adulto antes do tempo e muitas vezes, de forma muito visível, a tomada de
responsabilidades.
quarta-feira, maio 26, 2010
ENEATIPO I. AMOR SUPERIOR
Escassamente se distingue no uso habitual a ira e o ódio, posto que se chama ódio o oposto
do amor. Segundo isto, a paixão do EI seria um antiamor. Seu caráter manifesto, no entanto, não é
este “contra-amor”, que descrevemos como próprio da violência, o atropelo e a exploração do EVIII.
Já vimos como o EI é um caráter bom – entendendo-o por alguém que não odeia, mas que ao
contrário, professa o amor. Assim como o amor do EII é um fenômeno emocional em que falta a ação, o amor do EI está
constituído de intenções e atos em que falta a emoção: um amor pouco terno, duro inclusive, dir-se-
ia, se a proibição da dureza e um empenho consciente em ser terno não o fizessem menos
aparente.
As personalidades dos eneatipos VIII e I são comparativamente agressivas, só que em um a
agressão (valorizada) está nua e em outro (desvalorizada), negada, e de certo modo
supercompensada , especificamente na vida amorosa e no aspecto amoroso das relações e
situações humanas. Enquanto que o EVIII é um “vilão” explorador que exige indulgência ou
cumplicidade, o EI se põe frente ao outro como doador generoso e, em virtude disto, sentirá que tem
direitos correspondentes.
Sua agressão não desaparece, no entanto, mas se metamorfoseia em exigência e
superioridade, em um domínio ou controle sobre o outro não menor do que no caso do caráter
avassalador – só que aqui se disfarça (ante os olhos do próprio sujeito) de algo justificado por
princípios impessoais.
Uma ilustração de Quino explica o profundo auto-engano dos “justiceiros morais” ou
perfeccionistas (para distingui-los dos justiceiros amorais luxuriosos), que disfarçam seus desejos de
exigências justas presumidamente desinteressadas: a justiça, que comumente se personifica em
uma mulher cujos olhos vendados não distinguem pessoas nem interesses, leva uma venda sobre
somente um dos olhos (que comicamente nos recorda o tapa-olho de um pirata, em sua imagem
estereotipada), e com sua poderosa espada corta uma fatia de presunto.
A imagem do presunto aqui parece contradizer implicitamente essa pretensão
desinteressada dos puritanos, caricaturada por Canetti no retrato de uma vestal incorruptível cuja
boca está dedicada exclusivamente ao serviço das palavras e nunca se corrompe recebendo algo
tão baixo como os alimentos dos que vivem, os comuns mortais.
A forma de afirmação dos desejos é, então, sua transformação em direitos; e assim como os
desejos do rebelde se sustentam em seu poder bruto, os do virtuoso se apóiam em sua
superioridade moral. A tal transformação do “eu quero” em “tu deves” alude Quino no resto do seu
cartoon, que nos mostra, junto à poderosa mulher gorda (que como paródia da justiça cortava o
presunto), sobre uma cadeira alta, um juiz; um juiz que, por sua estatura e tipo de cadeira que usa,
assim como pela presença de um brinquedo no chão e seu gesto de lamber-se, enquanto come, é a
imagem de uma criança, tão impotente como poderoso é o braço da justiça.
Aludir a esta perturbação do amor como “amor superior” implica em um “amor inferiorizante”:
o outro, tão beneficiado em aparência por seus atos benévolos, vê-se privado de qualidade moral ou
estatura espiritual; é em certa medida vilanizado enquanto é controlado e exigido.
A inferiorização do outro se faz através da crítica, seja a crítica explícita e consciente a seus
rendimentos, decisões ou atitudes (“fizeste isto ou aquilo mal” ou “não aprovo tal aspecto de tua
vida”) como a crítica menos explícita de um não se dar por satisfeito ante manifestações do outro
que não alcançam o ideal de excelência perfeccionista. Entre os três amores, o mais dominante aqui é o amor admiração: o amor à grandeza, ao
ideal. O amor ao próximo vem em segundo lugar, porque é um amor à altura dos ideais, um amor
que se associa ao dever, por ser um amor pobre em ternura. E, mais postergado, encontra-se o
amor a si mesmo, inconsciente e negado. Sua moral não permite os próprios “desejos egoístas”
assim como não permite os alheios. Pode-se falar neste caráter de uma atitude antivida, em vista do
excessivo controle repressor dos próprios impulsos, do tabu de sua instintividade e da do outro.
Ainda que se trate do amor superprotetor em relação aos filhos ou do amor possessivo em relação
ao parceiro, não só há uma perda de espontaneidade do próprio indivíduo, mas também uma
relação que destrói a espontaneidade do outro, que se vê envolto em um campo repressor invisível.
Este amor, excessivamente condicional, exige méritos inalcançáveis e perde a
espontaneidade. Desconhece sua destrutividade; assume o papel parental não para apoiar, mas
para interferir com a criança interior do outro.
do amor. Segundo isto, a paixão do EI seria um antiamor. Seu caráter manifesto, no entanto, não é
este “contra-amor”, que descrevemos como próprio da violência, o atropelo e a exploração do EVIII.
Já vimos como o EI é um caráter bom – entendendo-o por alguém que não odeia, mas que ao
contrário, professa o amor. Assim como o amor do EII é um fenômeno emocional em que falta a ação, o amor do EI está
constituído de intenções e atos em que falta a emoção: um amor pouco terno, duro inclusive, dir-se-
ia, se a proibição da dureza e um empenho consciente em ser terno não o fizessem menos
aparente.
As personalidades dos eneatipos VIII e I são comparativamente agressivas, só que em um a
agressão (valorizada) está nua e em outro (desvalorizada), negada, e de certo modo
supercompensada , especificamente na vida amorosa e no aspecto amoroso das relações e
situações humanas. Enquanto que o EVIII é um “vilão” explorador que exige indulgência ou
cumplicidade, o EI se põe frente ao outro como doador generoso e, em virtude disto, sentirá que tem
direitos correspondentes.
Sua agressão não desaparece, no entanto, mas se metamorfoseia em exigência e
superioridade, em um domínio ou controle sobre o outro não menor do que no caso do caráter
avassalador – só que aqui se disfarça (ante os olhos do próprio sujeito) de algo justificado por
princípios impessoais.
Uma ilustração de Quino explica o profundo auto-engano dos “justiceiros morais” ou
perfeccionistas (para distingui-los dos justiceiros amorais luxuriosos), que disfarçam seus desejos de
exigências justas presumidamente desinteressadas: a justiça, que comumente se personifica em
uma mulher cujos olhos vendados não distinguem pessoas nem interesses, leva uma venda sobre
somente um dos olhos (que comicamente nos recorda o tapa-olho de um pirata, em sua imagem
estereotipada), e com sua poderosa espada corta uma fatia de presunto.
A imagem do presunto aqui parece contradizer implicitamente essa pretensão
desinteressada dos puritanos, caricaturada por Canetti no retrato de uma vestal incorruptível cuja
boca está dedicada exclusivamente ao serviço das palavras e nunca se corrompe recebendo algo
tão baixo como os alimentos dos que vivem, os comuns mortais.
A forma de afirmação dos desejos é, então, sua transformação em direitos; e assim como os
desejos do rebelde se sustentam em seu poder bruto, os do virtuoso se apóiam em sua
superioridade moral. A tal transformação do “eu quero” em “tu deves” alude Quino no resto do seu
cartoon, que nos mostra, junto à poderosa mulher gorda (que como paródia da justiça cortava o
presunto), sobre uma cadeira alta, um juiz; um juiz que, por sua estatura e tipo de cadeira que usa,
assim como pela presença de um brinquedo no chão e seu gesto de lamber-se, enquanto come, é a
imagem de uma criança, tão impotente como poderoso é o braço da justiça.
Aludir a esta perturbação do amor como “amor superior” implica em um “amor inferiorizante”:
o outro, tão beneficiado em aparência por seus atos benévolos, vê-se privado de qualidade moral ou
estatura espiritual; é em certa medida vilanizado enquanto é controlado e exigido.
A inferiorização do outro se faz através da crítica, seja a crítica explícita e consciente a seus
rendimentos, decisões ou atitudes (“fizeste isto ou aquilo mal” ou “não aprovo tal aspecto de tua
vida”) como a crítica menos explícita de um não se dar por satisfeito ante manifestações do outro
que não alcançam o ideal de excelência perfeccionista. Entre os três amores, o mais dominante aqui é o amor admiração: o amor à grandeza, ao
ideal. O amor ao próximo vem em segundo lugar, porque é um amor à altura dos ideais, um amor
que se associa ao dever, por ser um amor pobre em ternura. E, mais postergado, encontra-se o
amor a si mesmo, inconsciente e negado. Sua moral não permite os próprios “desejos egoístas”
assim como não permite os alheios. Pode-se falar neste caráter de uma atitude antivida, em vista do
excessivo controle repressor dos próprios impulsos, do tabu de sua instintividade e da do outro.
Ainda que se trate do amor superprotetor em relação aos filhos ou do amor possessivo em relação
ao parceiro, não só há uma perda de espontaneidade do próprio indivíduo, mas também uma
relação que destrói a espontaneidade do outro, que se vê envolto em um campo repressor invisível.
Este amor, excessivamente condicional, exige méritos inalcançáveis e perde a
espontaneidade. Desconhece sua destrutividade; assume o papel parental não para apoiar, mas
para interferir com a criança interior do outro.
segunda-feira, maio 24, 2010
ENEATIPO VIII. AMOR AVASSALADOR.
Seguindo a mesma ordem de caracteres do capítulo anterior e abordando agora aqueles da
área superior do eneagrama, vejamos a perturbação do amor nos luxuriosos.
Se a indiferença emocional constitui um desamor, seria próprio falar de atração luxuriosa
mais que de amor luxurioso como de um contra-amor. Conseqüência da sede de intensidade, o
impulso para a união sexual toma lugar mais do que conduz à união íntima entre as pessoas,
enquanto que o luxurioso (tal como disse Stendhal de Don Juan) considera o sexo oposto como
inimigo e busca somente vitórias. “O amor à maneira de Don Juan” – reflete Maurois - “assemelha-
se ao gosto pela caça. É uma necessidade de atividade que precisa ser despertada por objetos
diversos”.
O amor luxurioso é o amor como no protótipo do “Don Juan” original (quer dizer, o burlador)
que antepõe seu desejo para o outro: um amor que invade, que utiliza, abusa, explora, e que exige
por sua vez um amor que se confirme através da submissão e do deixar-se explorar. Custa-lhe
receber porque não acredita no que recebe. Porque em sua posição cínica, não acredita no amor do
outro, tem que pô-lo à prova. Põe à prova o amor do outro, por exemplo desequilibrando-o e
observando-o em situações de emergência, ou pedindo-lhe o impossível, pedindo-lhe a dor e a
indulgência como demonstração de sua sinceridade.
À parte o aspecto excessivamente avassalador do amor luxurioso, existe um paralelismo de
íntima desvinculação que deriva de sua grande necessidade de autonomia. Posto que se trata de
um caráter duro que anda em guerra com o mundo, é naturalmente difícil que se possa falar de amor no sentido de união ou de relação – exceto num sentido exterior. Recebe mal o amor do outro, por
mais que constitua uma defesa da própria independência; nega o que lhe é dado e nega o próprio
desejo de recebê-lo, posto que significa uma invasão de seu sistema e representa o perigo de sentir-
se débil.
O amor (de casal) do EVIII não só é invasor, excessivo e avassalador, como também
violento. Não poderia ser menos, já que o caráter violento se revela sobretudo na intimidade. Além
de “castigador” exigente e provocador, é anti-sentimental: busca um amor-contato, concreto, não-
emocional, que dura o que dura o contato; um amor no aqui e agora sem compromissos e com a
negação da dependência, que põe a pessoa em relação com a sua fragilidade, sua insegurança.
O aspecto pseudo-amoroso está no erótico; também em uma sedução que é como uma
“compra” do outro ou sua indulgência em certas situações. O amor compaixão é negado porque é
incompatível com a notória ênfase do amor-necessidade. O amor-admiração, no entanto, está mais
à mão. Por mais que a pessoa seja competitiva, pode reconhecer e admirar intensamente, sobretudo
quando se trata de modelos fortes. O amor a si, todavia, é o mais forte; o amor ao próximo vem em
segundo lugar, apesar de tratar-se de um ser aparentemente anti-social: é contrário às normas mais
que às pessoas concretas, e não é tanta como parece a diferença entre os eneatipos I e VIII no que
se refere aos impulsos. Em um caso a agressão está muito racionalizada e se percebe como um
serviço de boas causas; no outro se reconhece a agressão como tal, e existe uma espécie de
inversão de valores em que o bom é considerado mal e vice-versa. Porém existem laços humanos
que vão mais além do que são, podem ser mais valorizados do que se considera bom, e a
solidariedade social pode levar a atitudes de vingança, de clamor por justiça pelo outro, comparáveis
a tomar-se a justiça nas próprias mãos quando se trata da própria vida. O amor a Deus ou ao ideal e
transpessoal é o mais débil dos três.
O aparente amor a si mesmo do luxurioso se reconhece como um pseudo-amor, se visto de
perto; porque na insaciabilidade avassaladora da busca de prazer, vantagem ou poder, a pessoa
não reconhece sua própria necessidade mais profunda: a fome amorosa mesmo. Não é a criança de
peito interior que se satisfaz, mas a um adolescente titânico que se propôs a conseguir o que lhe foi
dado anteriormente, de tal forma que sua própria força em reclamá-lo passa a ser um substituto do
desejo amoroso.
quarta-feira, maio 19, 2010
ENEATIPO IV. AMOR-ENFERMIDADE
Em sua obra Cinco Rostos do Amor, André Maurois usa o termo “amor-enfermidade” para designar a paixão amorosa atormentada que caracteriza o mundo psicológico de Proust. Diz Maurois que, à diferença de Madame de Lafayette, Rousseau ou Stendhal, Proust já não acredita que a violência da paixão “se torne legítima pela qualidade excepcional dos seres que são seus objetos”. E acrescenta: “Veremos que considera o amor-paixão como uma enfermidade inevitável, dolorosa e fortuita.”
Comentando esta observação à luz da psicologia dos eneatipos, diria que tanto o amor do EII como do EIV são apaixonados, com a diferença de que o orgulhoso acredita, exalta e idealiza sua paixão e o invejoso (que não crê em si mesmo) apenas a sofre.
Pode-se dizer que a pessoa invejosa é propensa ao amor. A inveja é um sentimento carencial, uma voracidade do outro, uma espécie de canibalismo amoroso que se autofrustra por seu excesso. Este excesso leva à frustração por dois motivos: porque pede mais do que lhe é dado esperar e porque molesta o outro com sua insistência. A situação pode ser comparada à do bebê que morde o peito da mãe em seu afã; a frustração que o levou a mordê-la em primeiro lugar se soma à produzida por uma mãe dolorida que lhe faz cara feia ou o rejeita.
A exigência excessiva é resposta à uma frustração anterior, naturalmente. É como se estivesse dizendo: “Dá-me porque não me deste o suficiente, compensa-me! Existe nesta exigência de compensação um matiz de vingança. Para um adulto que não se desconhece completamente, a situação se complica porque se sabe “mordedor”, e aquele que tem uma imagem negra de si mesmo – alguém que percebe a carga agressiva que existe em seu amor – não se sente digno e antecipa a rejeição. É algo bem conhecido que a antecipação da rejeição se torna realidade. Um conhecido chiste o explica: alguém se dirige para a casa de um amigo para pedir-lhe o violão emprestado. Já a caminho da propriedade vizinha, pensa que pode ser uma má hora pois talvez seu amigo esteja comendo. Nos poucos minutos de caminhada, fantasia que não só seu amigo ficará aborrecido como terá pouca boa vontade para emprestar-lhe o instrumento. Um violão é uma coisa muito pessoal para alguém que tenha se dedicado tanto a tocá-lo... Depois de ter batido na porta, o amigo o recebe e sorrindo lhe pergunta acerca do motivo de sua visita. Ele não consegue evitar responder: “Vá para o diabo com seu violão!”
Mesmo sendo o gesto da inveja um excessivo pedir, demasiada exigência, esta necessidade do amor alheio se baseia em uma correspondente incapacidade de valorizar-se ou querer a si mesmo; a pessoa depende exageradamente do outro não por simples desconexão – como no caso do EIII – de seus valores, mas por uma desvalorização mais presente que chega a extremos de uma auto-agressão consciente ou de ódio a si mesmo, um sentimento de ridículo. Quando se fala de uma paixão amorosa, é este o tipo de amor o que se tem presente; o amor-enfermidade, como disse Maurois.
Pode-se dizer que a intensidade da importância que se dá ao amor o converte numa grande paixão; porém mais que paixão poderia chamar-se enfermidade, por seu elemento de dependência e insaciabilidade. Uma dificuldade adicional para a pessoa que tanto necessita carinho se sinta querida, além de sua auto-invalidação é a invalidação do sentimento do outro: “Se tu queres a mim, que sou uma porcaria, que tipo de pessoa és tu? Se podes enganar-te tanto, tua necessidade deve ser tão grande quanto a minha.” A pessoa não pode conceber-se querida e não se permite a satisfação ainda quando poderia dizer-se que a conseguiu, embora isto seja difícil porque é muito característico deste tipo ver o que falta mais do que o que possui. O amor não é suficientemente perfeito, ou suficientemente exaltado ou suficientemente romântico para chegar a tocar a sua sensibilidade. Um amor tão suscetível de ser ferido ou frustrado se contamina de ressentimento precisamente pela frustração ou a necessidade.
O EIV é um caráter demasiado serviçal, sempre à disposição, adaptável, inclusive obsequioso, empático, ajudante, sacrificado, que agüenta até níveis masoquistas a frustração e o sofrimento, porém ao mesmo tempo cobra-se ou se compensa por todo o seu sacrifício através de uma exaltação de seu próprio desejo frustrado, que se torna voracidade inconsciente.
O amor dos invejosos torna-se mórbido pela intensidade de sua sede do outro, por sua interpretação pessimista das situações e sua tendência à autofrustração. Tão característica como isto ou mais é a tendência a pedir por meio de um “pôr-se doente”. A associação da atitude romântica com a enfermidade é suficientemente reconhecida para que tenha graça para qualquer um o chiste que encontrei tempos atrás em uma revista: um médico inclinado sobre o leito de um enfermo, dizia à sua mãe: “Seu filho é um poeta muito doente.”
Quanto menos permitido é o pedir e mais vergonhoso o desejo, maior é a necessidade de atrair o objeto do desejo “inocentemente”, quer dizer, sem culpa, através da intensificação da experiência – intensificação histriônica, pode-se dizer – da necessidade e sua frustração. Quanto mais proibida é a exigência, mais necessário se faz para este caráter exigir atenção e cuidados, aparentemente sem pretendê-lo, seja através do sofrimento, de seu papel de vítima ou de sintomas físicos e dificuldades variáveis.
Às vezes, chama-se a isto, “chantagem emocional” e observa-se não só entre amantes como entre pais e filhos. A sedução através da debilidade e da necessidade é para nós um recurso feminino tão conhecido como a sedução das irresistíveis, que um par de gerações atrás se expressava em desmaios. Não é, no entanto, mais que uma amplificação do pranto com que toda criança chama sua mãe pedindo-lhe a satisfação de suas necessidades ou socorro.
Contudo, é necessário distinguir o lamento da verdadeira compaixão por si mesmo. Apesar de sua busca de compaixão e sua queixa de não encontrá-la o EIV dificilmente a sente por si e nem sequer lhe resulta fácil recebê-la. Nem para receber coisas boas sente-se com direito, pois não só não se ama, odeia-se, desvaloriza-se e se rejeita.
O amor transpessoal, mais além do eu e do tu, pode-se dizer que não está caracteristicamente na esfera do religioso nem da do bem tanto como na esfera da beleza. Os valores superiores com os quais a pessoa se conecta são principalmente o amor à arte e o amor à natureza. Talvez o amor a um Deus pessoal se complique com o não se sentir merecedor, porque a evocação do divino só intensifica a dor da culpa. Além do mais admirar é coisa muito problemática para os competitivos.
O erótico pode ser veementemente perseguido, pois é algo que tira o indivíduo do ordinário e acalma sua sede de intensidade; porém existe neste caráter uma dificuldade de entregar-se ao prazer, e também ao outro. Tanto é assim que Wilhelm Reich interpretou o masoquismo como expressão de uma inibição orgástica. Também é proeminente a expressão do amor-dar, tipo ágape, que se manifesta como orientação ao serviço, defesa dos oprimidos e empatia. Os que necessitam de piedade não sabem recebê-la, porém se apiedam facilmente dos demais.
terça-feira, maio 18, 2010
ENEATIPO V. DESAMOR
Eu disse que existem caracteres aparentemente mais amorosos que outros, e comecei pelos que o são em grau mais notório. O que comentarei na continuação é um dos que parecem ser menos amorosos. Novamente, se o amor é um atributo da essência do ser humano – de seu eu verdadeiro ou núcleo central de seu ser - , é algo independente do caráter, seja este mais dadivoso, disponível e afirmador do outro, ou mais distante, duro ou crítico; trata-se de diferenças de programação ou de diferenças na estratégia interpessoal e, portanto pertencentes ao mundo do pseudo-amor mais que ao amor verdadeiro. Não obstante, o fato de que o esquizóide pareça menos amoroso vale tanto para ele que o vive a partir de fora como para si mesmo: enquanto que para o grupo dos histeróides, da ala direita do eneagrama, é mais fácil enganarem-se com respeito à sua própria capacidade amorosa, ao mais esquizóide dos caracteres é mais difícil que a qualquer outro se enganar, e pode sofrer agudamente sua incapacidade de relação verdadeira com o outro.
Por mais que em sua tendência à autoculpabilização, o autista desconheça a medida do amor espontâneo em sua psiquis – do ponto de vista do ideal do que deveria ser ou fazer -, é também certo que sua programação se volta contrária a este impulso de unificação com o outro que Platão nos oferece em O Banquete, como resposta ao que possa ser o amor.
O caráter esquizóide é contrário a este impulso de unificação com o outro, tanto que alberga uma verdadeira paixão por evitar vínculos. Se o amor supõe um interessar-se pelo outro, o esquizóide “autista” é aquele que não se interessa. Não só expressa pouco o seu carinho, como parece uma pessoa mais fria que as demais, mais apática, mais indiferente.
Gosta de receber, sim, porém não pede, porque aprendeu que pedir pode molestar e teme que sua voracidade o leve a uma frustração maior do que a auto-imposta frustração de ser paciente. Inclusive o seu desejo de receber amor está amortecido já que se acomodou vivendo com o menos possível, com as mínimas necessidades que representem dependência de outros e com a necessidade de dar para receber. Mais ainda, tem dificuldade em saber o que recebe porque emocional e implicitamente não acredita no amor mais do que o EVIII, e tende a pensar que aqueles que o manifestam, fazem-no por seus próprios interesses, conscientes ou inconscientes. Ou seja, não acredita que seja digno de receber amor porque não se sente suficientemente valioso ou porque seu próprio desinteresse pelo outro o leva a sentir que não dá o suficiente.
Existe, portanto, uma não-entrega ao amor, não-entrega ao outro, não-entrega à vida e um super controle do medo à entrega, da ameaça que significa a necessidade do outro. Em sua excessiva intolerância pelas exigências ou expectativas alheias, vive o desejo do outro principalmente como uma limitação.
A mais subdesenvolvida das formas do amor é naturalmente o amor maternal, dadivoso e compassivo; o amor ao próximo se vê eclipsado pelo amor aos ideais e a preocupação por si mesmo. Existe pouco sentimento de camaradagem, pouco sentimento de comunidade ou fraternidade com os demais mortais. É também pequena a disponibilidade para com os filhos, que são vistos – mais do que no caso de outros caracteres – como um peso, um impedimento. Outras vezes, entretanto, dá-se uma projeção muito intensa da própria “criança interior” abandonada com o filho, e isto leva à super proteção e a um apego que se expressa em uma relação muito limitadora para este.
Egoísta, o avaro também o é consigo mesmo; não se dá satisfações, pressiona-se e sente que deve ter méritos para dar sentido à vida.
No amor de casal, os problemas derivam de sua escassa disponibilidade, da exigência de não ser exigido, do isolamento e da escassa empatia. São difíceis as decisões de convivência e matrimônio – que implicam na perda da privacidade e do controle exclusivo sobre a própria vida. A sexualidade pode não ser intensa e percebida como uma exigência a mais.
O amor a Deus, cujas exigências se fazem menos presentes que as do próximo, passa a substituir em certa medida o amor humano, ainda que o mesmo amor a Deus se debilite se não está apoiado em uma experiência suficiente do amor humano e do amor a si mesmo. Apesar disso, resulta mais fácil, menos conflituoso relacionar-se com um objeto ideal. Correspondentemente, neste caráter está mais desenvolvido o amor-admiração (amor de filho para pai) que a generosidade.
sábado, maio 15, 2010
ENEATIPO VII. AMOR-PRAZER
Resulta oportuno uma vez mais continuar nossa exposição com o sétimo eneatipo, já que se
trata igualmente de um caráter sedutor e carinhoso. Só que sua forma de sedução é um pouco
diferente e diferente é também sua forma de amar. A pessoa auto-indulgente necessita antes de
tudo de um amor indulgente e, como aprecia não ser exigido e que não sejam postos limites,
também oferece ao outro permissividade; tanto é assim que la Bruyére, em sua contemplação dos
caracteres humanos, chamou a atenção sobre um que parece empenhar-se em cultivar no outro
seus vícios e enaltecê-los.
Se o amor ideal que o orgulhoso tanto busca como oferece é um amor-paixão, o ideal de
amor do guloso é mais suave, tranqüilo e a salvo de problemas. Um amor agradável que busca o
agrado e que poderia chamar-se um “amor galante”, em associação com a vida cortesã da época
de Fragonard e a corte de Luis XIV. Vem ao caso citar o que disse Hipólito Taine ao comparar esta
forma de amor com aquela exaltada por Boccaccio:
“Boccaccio leva a sério o prazer; a paixão para ele, além de física, é veemente,
constante inclusive, freqüentemente rodeada de acontecimentos trágicos e assaz medíocre
para divertir. Nossas fábulas são alegres de maneiras muito distintas. O homem busca nelas
a diversão, não o desfrute, é jocoso e não voluptuoso, guloso e não glutão. Toma o amor como um passatempo, não como uma embriaguez. É fruto bonito que colhe, que saboreia e
que abandona."
Pode-se dizer que a psicologia do EVII tende a uma confusão entre o amor e o prazer – e
portanto entre o amor e a não interferência na satisfação dos desejos. Porém a expressão amor-
prazer não evoca plenamente o fenômeno do amor tão leviano deste caráter amável e jovial que
nem quer ser um peso para o outro, nem receber o peso de ninguém. Bem se poderia falar
alternativamente de um amor-comodidade, o que nos convida a evocar tanto o aspecto grato e
aprazível desta forma de vida amorosa como de sua limitação.
Uma ilustração da expressão menos que ideal de tal amor-comodidade nos é proporcionado
por um chiste carioca – o que me parece apropriado em vista do espírito guloso do Rio de Janeiro -:
uma mulher indignada reclama ao seu marido dizendo-lhe que a empregada está grávida. O marido
contesta: “Isto é problema dela.” A mulher insiste: “Mas você a engravidou!” Ele replica: “Isto é
problema meu.” “E eu, como fico?” Torna a mulher. O marido, despreocupadamente responde: “Isto
é problema seu!”
Que um buscador de prazer bata em retirada diante da pessoa ou situação que anuncia
aborrecimentos, compromissos, obrigações sérias ou restrições é, seguramente, um dos fatores que
torna o amor guloso um amor instável, sempre exploratório: sabemos que tudo isto aumenta à
medida que as relações se prolongam; porém não é o único fator, posto que a personalidade do
guloso é, por si, curiosa e exploratória, e sempre o distante lhe parece mais atrativo que o que está
próximo.
Precisamente a dificuldade de satisfazer-se no aqui e agora do mundo real é outro problema
importante na vida amorosa dos “orais otimistas”, que constantemente os empurra para o ideal, o
imaginário, o futuro, o remoto. Pensam que é o desejo o que os aliena do presente, porém é
duvidoso que isto seja mais que uma aparência subjetiva: mais seguramente é uma implícita
insatisfação que motiva sua contínua busca pelo diferente. E dificilmente o ideal por uma suavidade
completamente indulgente que busca o guloso pode acontecer na experiência real pouco além do
período de encantamento de uma relação nova. A vida tem seus problemas e, no mundo físico, todo
cômputo deve tomar em consideração o atrito. O amor-prazer busca relações sem atritos e sabe
encontrá-las, só que em escassa medida podem chamar-se relações. Isto é ilustrado
eloqüentemente por desenho de William Steig que apesar de não se referir ao amor em si, trata da
relação humana.
Existe no EVII uma atitude amistosa generalizada. Trata-se do indivíduo que vai ao
restaurante e, rapidamente conhece o garçom ou a cozinheira; conhece também as pessoas do
mercado e entra em conversação facilmente. Sua atitude igualitária contribui para isto e é parte de
seu caráter amável, simpático e sedutor. Qual é a base disto? Camaradagem? Existe um aspecto . exploratório e, ademais, uma busca de novidades e de experiências, uma busca de possibilidades,
de marketing, por parte de quem está sempre procurando promover-se. Lembra o homem de
negócios que busca um mercado, e seja quem for que encontre, quer conhecer a situação para ver
se descobre oportunidades. Também destaca o aspecto de jogo: como é uma pessoa lúdica,
aproxima-se do outro como faz uma criança em relação a alguém com quem pode brincar.
Pode-se entender a base desta não-relação a partir da informação que nos oferece o
eneagrama sobre este eneatipo; um eneatipo (EVII) que se relaciona com os anti-sociais (EVIII) e
também com os ensimesmados e distantes (EV). Na medida em que o guloso se parece com o
luxurioso, vai pela vida como Don Juan, em busca de uma presa, e por mais que se apresente como
um galã, leva dentro de si o aproveitador e, também, um esquizóide mais interessado em si mesmo
do que no outro. Esta outra forma de egoísmo seria inaceitável para os demais se não fosse
compensada por uma dose ao menos equivalente de generosidade galante.
Assim como o guloso é, em geral, um especialista em tornar aceitáveis os seus desejos,
também é certo que no terreno específico do amor uma pessoa com este caráter tem pouca
dificuldade em fazer-se conceder seus gostos – mesmo quando representem sacrifícios e saiam do
convencional, como é o caso da infidelidade. Lembro-me de uma historieta de Quino que
representava um personagem com características fisionômicas típicas de um charlatão, em seu
consultório de médico rodeado de diplomas. Uma anciã que tinha vindo consultá-lo
(presumidamente por um mal cardíaco) é testemunha das instruções que dá para sua secretária:
“Por favor, se minha mulher ligar, diga que se comunique com minha senhora para que combinem
com minha esposa o aniversário dos meninos.” Na vinheta seguinte se vê que a velha senhora
passou muito mal.
Na discussão que se faz dos traços do caráter narcisista no DSM-III põe-se em relevo o
entitlement, que poderia traduzir-se por um sentir-se com direitos de talento, direitos de
superioridade. Porém, a superioridade que o EVII persegue em uma relação amorosa é diferente
daquela dos que vão pela vida como pessoas importantes e assumem um papel de autoridade.
Neste caso trata-se de uma importância mais sutil: não é que espere ser obedecido, mas escutado e
reconhecido como alguém que está inteirado. O homem pode esperar que a mulher seja seu público
por exemplo e, igualmente, ocorre com um pai em relação ao seu filho. Correlacionado à
necessidade do charlatão de ser ouvido está o fato de que naturalmente não sabe ouvir, e pode ser
que ele mesmo não se aperceba disto, já que oferece grande empatia em sua atitude atenta.
Também em matéria de paternidade, o amor dos auto-indulgentes é menor do que aparenta ser,
devido ao seu talento persuasivo e seu encanto. Um pai pode apenas estar presente em seu lugar e
fazer-se querer, no entanto, através de presentes e sorrisos, de modo que seus filhos não se
apercebam de sua ausência até estarem crescidos. Neste caso, parte de sua oferenda amorosa
será a permissividade – só que às vezes os filhos chegam a percebê-la como um não querer
incomodar-se e intuem que se sentiriam mais queridos se lhes fossem impostos limites. Vejamos
agora como é, nos encantadores, a distribuição da energia psíquica entre as três
correntes amorosas que vimos anteriormente.
A hierarquia entre os três amores é, no geral, um pouco diferente do caso dos orgulhosos.
Enquanto que naqueles o amor pelo divino se vê praticamente eclipsado pelo amor a si mesmo e o
amor ao outro, nos gulosos acontece mais freqüentemente uma orientação religiosa e, ainda
quando este não é o caso, pode-se falar de um amor ao ideal que corresponde ao âmbito do amor
ao divino na forma mais ampla que entendo este termo.
Precisamente a religiosidade ou os afãs espirituais podem constituir um escape para as
pessoas com este caráter, pois não apenas as leva a desatender o imediato e o possível em troca
do remoto e impossível, como também por uma dificuldade em matéria de disciplina e uma limitada
capacidade de encarar-se com as incômodas profundidades da própria psiquis, freqüentemente os
torna amateurs que se amparam na espiritualidade sem entrar num processo de transformação
profunda.
Com respeito ao amor por si mesmo, a auto-indulgência do EVII é algo como a de um pai
acomodado e sedutor mais do que a de um bom amigo de si mesmo. Porém naturalmente o amor-
prazer é um intento de ressarcir-se ante um sentimento mais profundo de privação (como indica o
movimento entre o EV e o EVII no eneagrama). Busca-se o prazer justamente para fugir do
incômodo psicológico da angústia e da culpa e, na mesma medida, foge-se do próprio desamor e da
auto-rejeição.
O amor-dar, como já explicado, é neste caráter, tanto como no anterior, elemento de
sedução. Pode-se dizer, portanto, que é uma amabilidade e uma disponibilidade estratégicas. Bem
as pintou La Fontaine em suas fábulas da raposa, que se mostra sempre amável com os objetos de
seu desejo. Podemos também falar de um amor oportunista. Como ilustração deste tipo pode servir
o título que um humorista deu a um de seus livros: Al patrimonio por el matrimonio. (Ao patrimônio
pelo matrimônio.)
(Cláudio Naranjo)
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